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Número de bolsas de pós-graduação no exterior cresceu 50% em cinco anos

Número de bolsas de pós-graduação no exterior cresceu 50% em cinco anos

Atualizado: Segunda-feira, 10 Maio de 2010 as 9:58

Nos últimos cinco anos, os dois principais programas de incentivo à pesquisa científica - o CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico) e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior) - praticamente dobraram o número de bolsas dadas para estudantes de pós-graduação que vão para o exterior. Os benefícios subiram de 3.407 para 5.263 entre 2004 e 2009 - um aumento de 50,9%.

O perfil das bolsas também mudou. Se antes o doutorado feito todo no exterior possuía o maior número de bolsistas, agora a grande vedete é o "sanduíche", que teve um aumento de 77% no número de auxílios de 2004 para cá. Neste tipo de pós-graduação, o aluno começa o estudo no Brasil, faz uma parte do curso fora do país e e depois volta para concluir o doutorado.

O professor de oceanografia Ângelo Bernardino, da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), foi um dos que optaram pelo doutorado-sanduíche. Ele começou a pós na USP (Universidade de São Paulo), em 2006 e depois passou dois anos estudando na Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, entre 2007 e 2008. Após o período, retornou ao Brasil. Na área de pesquisa em que o professor atua - o fundo do oceano, mais de 200 metros abaixo do nível do mar - a universidade havaiana é uma das referências mundiais na área.

Nos Estados Unidos, Bernardino se sustentou com uma bolsa da Capes, que durou um ano. Depois, obteve outra do CNPq, por seis meses, que pagava cerca de R$ 1.900 (US$ 1.100). Ele conta que a sua primeira opção, na época, era fazer o doutorado completo no exterior. Entretanto, a facilidade de conseguir o doutorado-sanduíche acabou pesando na escolha.

''A bolsa de doutorado-sanduíche me ajudou porque é menos burocrática. Tem sido mais prático para o trabalho do pós-graduando. É bom para estabelecer parcerias e contatos com especialistas renomados do mundo inteiro''.

Cenário

As bolsas de doutorado pleno no exterior, em compensação, diminuíram muito nos últimos dez anos – uma queda de 32%. Segundo o presidente da Capes, Jorge Guimarães, a maior razão para a mudanças é o atual cenário da pesquisa científica no país.

''Hoje, o Brasil tem força para preparar bem os pós-graduandos para atuarem em quase todas as áreas nos países desenvolvidos. Há cursos de excelência tanto no mestrado quanto no doutorado por aqui''.

Outro motivo para a inversão - o aumento dos doutorados-sanduíche e a diminuição dos doutorados plenos no exterior - é a redução de custos.

''Com o recurso de um doutorado pleno, mandamos quatro no formato sanduíche. É bom para o aluno, que cria contatos, bom para a agência, que economiza e fortalece a cooperação internacional, e é bom para o país, que forma gente que acaba voltando ao Brasil''.

Apesar de prever um cenário otimista, o presidente da Capes reconhece que a quantidade de doutores no Brasil ainda está longe de suprir a necessidade de mão-de-obra que o país precisa. Atualmente são formados cerca de 11 mil novos doutores por ano.

''A nossa quantidade de doutores não dá nem para o café. Qualquer área que você botar o dedo, falta gente''.

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