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"O trauma ficou e nossa vida mudou", diz mãe de vítimas de bullying

"O trauma ficou e nossa vida mudou", diz mãe de vítimas de bullying

Atualizado: Sexta-feira, 25 Março de 2011 as 9

O caso aconteceu há quase dois anos, mas os traumas ainda persistem. Um jovem, hoje com 18 anos, teve traumatismo craniano após ser espancado por uma gangue, e seu irmão, de 15 anos, sofreu uma rasteira de um colega de sala que lhe rendeu vários hematomas nas costas. A agressão foi o estopim de uma história que começou com bullying. O problema ocorreu em maio de 2009 quando os garotos estudavam em uma escola estadual de São Bernardo do Campo.

Hoje, o irmão mais velho concluiu o ensino médio, trabalha como técnico de informática e acaba de ser aprovado para o vestibular de tecnologia da informação. O irmão mais novo cursa o ensino médio em outra escola da cidade.

Apesar dos meninos não terem carregado nenhuma sequela física, a mãe, a consultora empresarial Alexandra dos Santos Rosa, de 41 anos, garante que o trauma ficou e que a vida da família mudou completamente.

"Meu filho mais novo que era ativo, gostava de jogar bola e vivia na rua se fechou para mundo. Tem poucos amigos, quase não saí de casa e quando não está pendurado na internet, quer ficar deitado. Até seu rendimento na escola caiu", lamenta Alexandra, ao lembrar que o garoto precisou de acompanhamento psicológico.

A mãe afirma que logo após a agressão, seu filho mais velho não queria nem passar em frente à escola. "Ele guardou [a história] para ele, mas é claro que não esqueceu. Ficou a marca, ele foi defender o irmão e sofreu as consequências. Ele é introvertido e daqueles que falam para deixar tudo para lá."

A agressão

Na época, Alexandra não sabia o que era bullying. Quando seu filho mais novo reclamou que um garoto o importunava constantemente na escola jogando lápis, papel e o empurrando, ela achou que fosse uma brincadeira de menino e logo passaria.

O mesmo garoto que jogava papel e lápis em seu filho foi o autor da rasteira que o fez tropeçar e cair dentro da escola. Como bateu a cabeça, ele ficou sem ar, e uma ambulância foi chamada. Alexandra foi avisada neste momento e correu para escola para acompanhá-lo até o hospital.

Quando o filho mais velho de Alexandra soube que o irmão havia se machucado, foi procurar o garoto que lhe aplicou a rasteira e reclamou que aquilo não era brincadeira e que ele deveria procurar alguém do seu tamanho para mexer, já que era bem maior que seu irmão. A retaliação veio na saída da aula. Alexandra diz que uma gangue com cerca de 15 meninos espancou seu outro filho em frente ao colégio. "No segundo soco ele caiu desacordado, segundo testemunha houve até chute na cabeça."

Cerca de vinte após chegar ao hospital com o filho mais novo, Alexandra recebeu o primogênito "desacordado, ensanguentado e com rosto cheio de hematomas." "Foi uma cena inacreditável, não aguentei e desmaiei."

Alexandra registrou boletim de ocorrência e procurou o Conselho Tutelar. Traumatizados, os garotos ficaram um mês sem sair de casa e só voltaram às aulas, em outra escola, no segundo semestre do ano. Alexandra abandonou e emprego e passou a se dedicar à saúde dos filhos.

Hoje em dia, teme que a situação se repita, mas sabe que não pode impedir os meninos de viver. Para Alexandra, ainda é necessário investir em campanhas de prevenção de bullying. "Muita gente não sabe o que é, a sociedade tem de se mover. Para isso, é necessário um grande trabalho."

Na Austrália

O tema voltou a ser discutido depois que o adolescente australiano Casey Heynes, de 15 anos, bateu no colega Richard Bale, de 13 anos, que o provocava, para se defender. O vídeo da agressão foi postado na internet e Heynes foi considerado por muitos internautas um "herói".

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