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Ocupação da reitoria da UnB chega a uma semana sem solução

Ocupação da reitoria da UnB chega a uma semana sem solução

Atualizado: Terça-feira, 20 Setembro de 2011 as 4:18

A ocupação da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) por estudantes do campus de Ceilândia completa uma semana nesta terça-feira (20). Os estudantes exigem a conclusão das obras do campus, adiada dez vezes, e o cancelamento do 1º Vestibular 2012 para os cursos em Ceilândia.

Estudantes dormem em colchonetes na reitoria da Universidade de Brasília

na manhã desta terça-feira (20)  (Foto: Mariana Zoccoli/G1)

  Segundo a Secretaria de Comunicação da UnB, desde o início da ocupação o reitor José Geraldo de Sousa Júnior tem entrado por um acesso privativo e despachado de uma sala não invadida pelos estudantes. Cerca de 80 alunos estão acampados no gabinete.   Os estudantes informaram que desde a última sexta-feira (16) o reitor não aparece no local para continuar as negociações. “Estão paradas há dois dias, porque não chegamos a nenhum consenso”, disse a aluna Juliane Alves.

O grupo espera que o cancelamento do vestibular seja discutido em reunião do Conselho Universitário da UnB, que deve acontecer na próxima sexta-feira (23).

De acordo com Juliane, os estudantes só vão deixar o local quando hoiver uma solução para o impasse. “Nós não vamos sair daqui de novo só com a promessa do reitor. Acho que ele não acreditou que nós realmente iríamos resistir”, disse.

A Secretaria de Comunicação da UnB não soube informar onde o reitor está despachando nesta semana. A assessoria não confirmou se está mantida a reunião do Conselho Universitário para a próxima sexta (23).

Rotina diária

Para dormir, os alunos ganharam de alguns sindicatos da cidade cerca de 50 colchonetes, que estão espalhados pela sala do reitor, nos corredores e na sala de reuniões do prédio da reitoria. A comida, que estava sendo distribuída em marmitas, será feita a partir desta terça-feira (20) pelos próprios estudantes em uma cozinha improvisada no local.   Alunos do campus Darcy Ribeiro, onde fica a reitoria, também passam pelo alojamento ou ficam no local para dar apoio aos manifestantes, como é o caso de Nayara Conde, de 20 anos. Ela estuda medicina veterinária no campus Darcy Ribeiro e acompanha o namorado, Paulo Souza, na manifestação diariamente.

“Ele estuda enfermagem em Ceilândia e está no alojamento todo dia. Eu trago roupa, comida e o ajudo a passar o tempo nos intervalos das aulas e durante os fins de semana. Acho importante o ato e acredito que todos os estudantes deviam acompanhar também [a manifestação]”, disse.

A aluna do campus de Ceilândia Mariana Silva contou que dormiu todos os dias na reitoria. Ela disse que trabalha e que precisa sair da reitoria diariamente, mas que retorna para passar a noite no local.

Para tomar banho, os alunos precisam usar os chuveiros do centro olímpico da Universidade de Brasília (UnB). Durante o dia, os manifestantes dizem que passam o tempo com rodas de música, internet e cartas. Eles também se revezam para limpar o ambiente onde estão alojados e para lavar a louça usada.

Estudantes dormem na reitoria e fazem faxina em sala de reunião

 (no alto, a partir da esquerda); abaixo, fogão montado no local da

ocupação e alimentos guardados pelos estudantes na cozinha improvisada (Foto: Mariana Zoccoli/G1)

  Atraso de três anos

A construção dos blocos Unidade de Ensino e Docência (UED) e Unidade Acadêmica (UAC), os dois no campus de Ceilândia, foi licitada no segundo semestre de 2008. A empresa que venceu a licitação tinha 300 dias para concluir os dois prédios, mas só entregou o primeiro, inacabado, em junho deste ano. Segundo a universidade, a construtora pediu mais dois meses para finalizar o segundo prédio.

A UnB Ceilândia tem cerca de 1.500 alunos divididos em cinco cursos: enfermagem, farmácia, fisioterapia, gestão em saúde e terapia ocupacional. Há três anos, os estudantes têm aulas no campus improvisado no Centro de Ensino Médio nº 4, em Ceilândia Sul. Parte do novo campus foi ocupado para aulas com autorização da Novacap.

No final de julho, a Novacap recomendou à Secretaria de Obras a rescisão do contrato. Segundo a instituição, a entrega da obra já foi adiada dez vezes. O último prazo venceu no dia 26 de junho. Orçada em R$ 18 milhões, a obra deveria ter ficado pronta no começo de 2009.

Essa não é a primeira vez que os estudantes de Ceilândia ocupam a reitoria em protesto contra o atraso das obras. Em junho, cerca de 200 alunos e professores passaram mais de 10 horas no local.

A manifestação só foi suspensa depois que a reitoria prometeu entregar os prédios do campus de Ceilândia no início do segundo semestre de 2011, segundo o comando do movimento.          

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