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Opinião: Notas do Enem mostram que força de vontade faz diferença

Opinião: Notas do Enem mostram que força de vontade faz diferença

Atualizado: Quinta-feira, 15 Setembro de 2011 as 9:42

Os resultados do Enem, divulgados na segunda-feira (12), levantaram um tema antigo: o que faz uma escola ser boa. E, conseqüentemente, adequada para que confiemos a educação e formação de nossos filhos.

Algumas pessoas acham que a nota conseguida no Enem pela instituição de ensino é um bom critério para selecioná-la. Outros a consideram descartável. De todo modo, não deixa de ser um índice que pode ajudar. Sem ser absoluto.

Ninguém deve escolher uma escola porque sua nota foi alta. Porém, se estiver em dúvida entre duas, esse critério pode ser levado em conta.

Mas, o que faz uma escola ser boa? Ou melhor: o que faz seus alunos terem um bom resultado no Enem? Será que está associado à sua clientela ter um alto poder aquisitivo? Afinal, crianças vindas de lares privilegiados financeiramente levam a vantagem de terem sido bem estimuladas culturalmente (não via de regra): brinquedos, livros, passeios, teatros, cinemas...     Sem dúvida, esse fator tem peso. No entanto, por si só não garante nada. Se fosse assim, não teríamos crianças e adolescentes das classes mais privilegiadas com sérios problemas para aprender, mesmo tendo recursos intelectuais.

E também não teríamos em boa colocação no ranking do Enem no estado de São Paulo, o mais rico do país, uma escola que tem como clientela alunos vindo da escola pública e de famílias de baixa renda, no interior do estado.

O Colégio Eng. Juarez de Siqueira Britto Wanderley, mantido pela Embraer e situado em São José dos Campos, alcançou a média 714,01 - 26ª no ranking nacional e terceira no estadual. Só que ela não é uma escola qualquer. Apesar de alguns critérios claros para se estudar nela, como ter cursado de 5ª a 8ª série do ensino fundamental em escolas públicas, não é qualquer um que consegue uma vaga. Para isso, os estudantes fazem uma prova em que chegam a disputar a vaga com cerca de 30 concorrentes.

Ora, muitos dirão que não é justo. Só que não é uma questão de justiça e sim de força de vontade, ou de desejo. Imagino que muitos que ali estão querem muito estudar, ingressar em uma universidade e mudar suas condições de vida. Só de se interessar por um colégio com aquelas características (o período é integral, cerca de dez horas por dia), irem atrás do processo seletivo, submeterem-se a ele e provavelmente se preparem para isso, já é um diferencial. E devem ter uma família que minimamente os apóiam, pois imagino que muitos precisariam contribuir com o orçamento doméstico.

Penso ser esse o fator o que mais conta para que o processo ensino-aprendizagem tenha sucesso: o desejo de aprender, crescer e se desenvolver.

É interessante o que se nota na clínica psicopedagógica. Geralmente, o desenvolvimento de um estudante com dificuldade de aprendizagem, às vezes incluindo dificuldades de ordem cognitiva, mas que tem vontade de aprender, se dá de maneira rápida e tranqüila com uma intervenção adequada. No entanto, aqueles que, apesar de terem vários aspectos do aprender preservados, mas estão prejudicados em seu desejo para tal, têm seu desenvolvimento moroso e com poucos avanços.

O desejo não deve ser só do aluno, mas de todos aqueles envolvidos com o jovem estudante: instituição, professores e pais.

E é o que parece acontecer com essa escola. Que não se preocupa apenas que seu aluno passe no vestibular. Mas que trace metas para a vida, para além da universidade. E para tanto, envolve-se a família...

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