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Pais devem ensinar filhos a usar veículos com responsabilidade

Pais devem ensinar filhos a usar veículos com responsabilidade

Atualizado: Quinta-feira, 20 Outubro de 2011 as 10:30

Ilustração (Foto: Editoria de Arte/G1)

Uma das paixões dos brasileiros sempre foi o carro. Há muitos deles rodando por aí. Dos mais antigos e fora de moda até os mais sofisticados e modernos, dos que só um fanático é capaz de reconhecer a marca e o modelo.

A paixão cega. Tanto é assim que existem pessoas que compram carros acima de suas posses, pagando uma alta prestação por cerca de três ou quatro anos só para ter um determinado tipo. Ao acabarem de pagá-lo, por já estar velhinho, trocam-no por outro maior e mais sofisticado, iniciando um novo ciclo de parcelas a perder de vista. E isso nunca acaba.

Alguns modelos são tão grandes, robustos e pesados, que lembram um carro tanque. Acabam se tornando um inconveniente nos estacionamentos – são maiores do que as vagas. Eles têm sido cada vez mais desejados e adquiridos, ficando a dúvida da utilidade de um automóvel desse porte. Às vezes, uma pessoa solteira é que o possui, sendo utilizado apenas pelo motorista.

Provavelmente é uma forma da pessoa sentir que tem poder com aquele tamanho todo de carro. Até porque, em nosso país, o tipo de veículo que a pessoa tem lhe confere um determinado status. Mesmo que para isso fique pagando anos a fio, sendo algo ilusório.

Não bastasse possuí-lo, ele tem que usá-lo em sua potência máxima. Quando então, na confusão que faz entre si e o carro, o motorista mostra toda a “sua força”. Volta e meia chega a notícia de que houve um acidente – dentro da cidade – devido à alta velocidade em que o carro se encontrava (na cidade de São Paulo, nos últimos três meses, foram 11 acidentes graves, com cinco mortos e 11 feridos – situação em que os motoristas estavam alcoolizados e em alta velocidade).

A sensação do poder que o carro proporciona ao motorista sobrepõe seu discernimento sobre a responsabilidade e o perigo que ele representa. Parece que estar no carro o protege de qualquer mal, sentindo-se seguro nele. Ainda mais quando se está alcoolizado. O álcool afrouxa o controle das pessoas. Quantas delas não precisam de uma dose para tomar alguma atitude?

Ele também confere uma sensação de poder quando utilizado, principalmente em grandes quantidades (que resulta em um atraso nos reflexos). Proporciona coragem a quem o utiliza.

Misturam-se esses dois ingredientes e temos um matador pelas cidades. Associando isso a uma pessoa mais jovem, que está crescendo e tentando provar ao mundo que é capaz, forte e potente, as coisas se complicam mais.

E acidentes envolvendo jovens de 19 ou 20 anos – sem ou com habilitação (mas pouca experiência ao volante), não são raros. Suas famílias, com certo poder aquisitivo, colocam em suas mãos carros potentes e caros, pouco ensinando aos filhos o valor das coisas e de suas próprias vidas. É a política do tudo pode.

Sem dúvida é preciso que as leis sejam mais rígidas quanto à alta velocidade e ao álcool ao volante.

Porém, é necessário que as famílias criem seus filhos de modo a respeitar o outro, as leis e a valorizar a vida, inclusive a deles próprios. Ter tudo à mão não os tem ajudado muito. As coisas se tornaram banais para muitos jovens, dando a eles uma sensação de poder que eles não têm. Não só para eles, mas para muitos adultos dos quais se espera atitudes mais maduras. Que outrora também foram jovens com tudo à disposição. É obrigação dos pais cuidarem para que seus filhos tenham acesso aos veículos com responsabilidade e regras. Não dá para ficar passando a mão na cabeça de ninguém. Isso tem custado muitas vidas.

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