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Para educadores, caso de Realengo deve ser discutido com as crianças

Para educadores, caso de Realengo deve ser discutido com as crianças

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 8:56

Para evitar que o ataque ocorrido na manhã desta quinta-feira (7) na Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo, na Zona Oeste do Rio, se torne um trauma entre os estudantes,  especialistas ouvidos pelo G1 recomendam que o tema deve ser abordado nas salas de aula também em outras escolas. No ataque, doze crianças foram por mortas por um atirador que se suicidou.

Silvia Gasparian Colello, professora de psicologia da educação da Faculdade da Educacao da Universidade de São Paulo (USP), diz que as escolas têm de assumir a liderança das conversas, explicar e problematizar a questão da violência entre os estudantes.

"Professores precisam conversar com os alunos, dá margem para o choro, buscar reflexões e criar oportunidades para dar vazão ao medo." Para ela, as aulas na Escola Municipal Tasso da Silveira devem ser retomadas o quanto antes, pois segundo a educadora, quanto mais permanecer o clima da ocorrência, maior será o aprofundamento da tragédia.

"É preciso superar a tragédia tirando boas lições como a reflexão e a soliedariedade. Não dá para colocar o problema embaixo do tapete e negar o que acontece. As crianças têm de ser ouvidas", afirma. Segundo Silvia, uma forma de recomeçar seria propor homenagens às vítimas pedindo que os estudantes escrevam cartas aos familiares.

Outro caminho de superação apontado pelo pesquisador do Núcleo de Violência da USP, Renato Alves, é abrir espaço para que os estudantes sejam ouvidos por meio desenhos, redações, cartazes ou debates. "Não há receita, cada escola tem de encontrar a melhor forma. É preciso haver diálogos e tirar lições. Mas a escola não pode, de jeito nenhum, agir como se nada tivesse acontecido e não fosse um problema."

Lição de casa

Para Elizabeth Brandão, psicóloga e professora da PUC-SP, os pais também devem abordar o assunto em casa. "Vemos as tragédias se multiplicarem em tempo real. As crianças estão mais tensas e aflitas e não podem ser colocadas em uma redoma de vidro."

Elizabeth lembra que o fato de os pais não falarem sobre o tema, não significa que as crianças serão poupadas, pelo contrário, a negação pode criar consequências como pesadelos. "Elas vão ver na TV ou em outro lugar de vão saber de qualquer jeito. O assunto precisa ser discutido para que a criança não fique sozinha com seus pensamentos."

Conversa

Segundo a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano, pais e professores devem esperar que as próprias crianças e adolescentes se manifestem. "Quando trouxerem indagações, os professores devem estar preparados para falar e deixar que questionem", afirma.

Para a psicológa, os adultos devem ajudar as crianças a entender que o atirador estava fora de si, que talvez tivesse um transtorno mental. "Tem que mostrar que é uma coisa tão difícil de acontecer, que é quase impossível, principalmente para os menores", diz.

No caso dos adolescentes, o professor deve abrir espaço para conversarem e ver que rumo vai tomar a conversa, segundo Ana Cássia. "Tem que ver que tipo de questionamento irá surgir. Tem que esperar as coisas surgirem, não suscitar uma discussão. Pode ser um momento em que não querem falar", afirma.

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