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Parceria entre hospital e escola ajuda menina com 10% de visão a aprender

Parceria entre hospital e escola ajuda menina com 10% de visão a aprender

Atualizado: Segunda-feira, 17 Maio de 2010 as 10:22

Aos 9 anos, Yasmine Maria de Jesus Sousa Santos adora estudar. Entre os colegas da 4ª série, ela se destaca na leitura e interpretação de textos apesar de ter perdido 90% da visão antes de completar um ano. Fã dos gibis da Mônica, a estudante faz questão até de ajudar colegas de classe com dificuldade para decifrar as palavras.

O desenvolvimento de Yasmine na escola é um exemplo de que parcerias entre as áreas de saúde e de educação podem mudar a realidade de crianças e adultos deficientes.

Desde que a garota entrou na 1ª série da escola municipal Paulo Duarte, em Sapopemba, zona leste de São Paulo, professoras e a direção da escola passaram a receber a ajuda do hospital Santa Casa de Misericórdia, onde Yasmine passa por consultas desde pequena, para recebê-la melhor. ''No pré, ela não aprendia. Então, quando foi para a 1ª série, pedi ajuda do hospital'', disse a mãe de Yasmine, a dona de casa Jodélia Roseno dos Santos, de 26 anos.

As professoras receberam informações básicas sobre as dificuldades de visão e sugestões simples de adaptações, como colocar a aluna em uma carteira perto da lousa, posicioná-la em um local bem iluminado, fazer textos e desenhos grandes em papel.

A professora da 1ª série passou por um workshop da Santa Casa e multiplicou as informações para as outras educadoras. ''Se não soubéssemos tudo isso, seria muito mais difícil dar aula para ela'', afirmou Maria Cecília Porro Pascoal, que deu aulas para a estudante na 3ª série.

Segundo a professora atual de Yasmine, Shirley Maria Goreti da Costa de Oliveira, a estudante procura fazer tudo sozinha, como os amigos de sala. ''Ela fica feliz de fazer as mesmas atividades dos colegas'', disse Shirley. A garota se aproxima do livro para ler e usa uma espécie de lupa para enxergar as letras.

De acordo com a fisioterapeuta do Setor de Visão Subnormal da Santa Casa, Ana Lucia Pascali Rago, a ideia de capacitar os professores surgiu quando ela e os colegas de trabalho perceberam que as principais reclamações das mães ocorriam com relação aos estudos. ''Percebemos que havia muita dúvida. Faltava preparo'', disse Ana Lucia.

A capacitação começou no próprio hospital em 2003. Agora, Ana Lucia vai até as secretarias municipais de educação para dar os workshops. A fisioterapeuta e a colega Luciana Pinto Cardoso escreveram ainda um guia, chamado ''Educação à Vista - Baixa Visão na Escola, Guia de Orientação'', que distribuem aos professores.

No total, entre encontros no hospital e nas cidades, mais de mil professores já receberam as dicas da Santa Casa, que recebe apoio pedagógico e financeiro da instituição norte-americana Perkins.

Segundo Ana Lucia, os estudantes com baixa visão ainda encontram muitas dificuldades nas escolas regulares. ''Tem muito diretor que não quer ajudar, mas percebo que isso está mudando. A cada ano mais escolas procuram o hospital para perguntar como participar da capacitação'', afirmou.

Por Fernanda Nogueira

Foto: G1

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