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Perfil do aluno contribui para vagas ociosas nas faculdades privadas, diz sindicato

Perfil do aluno contribui para vagas ociosas nas faculdades privadas, diz sindicato

Atualizado: Quinta-feira, 5 Fevereiro de 2009 as 12

Os dados do Censo da Educação Superior divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) indicam que quase 50% das vagas criadas em 2007 não foram preenchidas. Desse total, quase 98% estão em estabelecimentos privados.  

Para Rodrigo Capelato, diretor do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), há um “descasamento” entre a oferta de vagas e a demanda pelo ensino. ''O ensino superior cresceu muito nos últimos dez anos, principalmente por conta do ensino privado. Nessa época havia uma demanda reprimida muito grande, principalmente das classes A e B. A partir do momento que o setor começa a se expandir, essa classes foram sendo atendidas, só que o nível de expansão continuou o mesmo'', explica.

Outro fator que contribui para o não-preenchimento das vagas, na opinião de Capelato, é o perfil do aluno que freqüenta cursos privados. ''A maior parte das vagas do ensino privado ocupadas são à noite, porque o perfil do aluno é de pessoas que trabalham. Se você olhar só os números do noturno, quase não há ociosidade e de dia você tem uma ociosidade enorme'', analisa.

Para o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, os dados das vagas ociosas precisam ser analisados com cuidados porque geralmente são subestimados. ''A instituição solicita um certo número de vagas no momento da autorização, mas não necessariamente essas vagas significam que há salas e professores ociosos. Pode ser que ela [instituição] pediu esse número de vagas para uma expansão futura'', aponta.

Capelato concorda com a análise, mas admite que o problema da ociosidade é uma realidade. ''Por outro lado, o percentual de jovens de 18 a 24 anos que estão no ensino superior é de 12%. Ou seja, você tem a ociosidade de um lado e de outro uma demanda gigantesca porque não há vagas suficientes nas públicas. E uma parcela da população menos favorecida que não pode pagar as mensalidade'', analisa.

Na opinião de Capelato, é preciso ampliar as políticas de acesso ao ensino superior por meio de instituições privadas, como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). ''Ampliar o número de vagas nas públicas é muito lento e muito caro. É mais racional preencher essas vagas ociosas da rede privada do que abrir novas vagas nas federais'', defende.

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