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Procura por curso de francês aumenta nas escolas de idiomas

Procura por curso de francês aumenta nas escolas de idiomas

Atualizado: Quinta-feira, 25 Novembro de 2010 as 4:27

São 9.480 palavras presentes no nosso dicionário que vieram do francês. Porém, um bocado de brasileiros cansou de saber apenas "abajur" ou "garçom" e resolveu aprender de verdade a língua oficial de Paris, do Quebec e de outros 54 lugares. Apenas a Aliança Francesa teve um aumento de alunos entre 7% e 8% apenas de 2009 para cá.

Essa mudança vem ocorrendo nos últimos três anos, segundo o diretor comercial da escola de idioma em São Paulo, Renato Vieira. Em 2007, as escolas paulistas tinham 7.800 alunos. Hoje, há 10.500. A presidente da Federação Brasileira de Professores de Francês, Rosalina Chianca, que vive na Paraíba, também sente a alteração comportamental que anda acontecendo no País. "Esse ano tivemos carência de professor", afirma sobre a língua, cuja procura tem superado a do espanhol desde 2007 na matrícula para as aulas de idiomas na UFPB.

Porém, a falta de docentes deve acabar nos próximos anos. Se há uma década entravam 10 alunos para a faculdade de Letras na habilitação Francês e formavam-se dois ou três, nesse semestre 34 amantes da francofonia começaram a sua graduação. "É um número bem satisfatório", conclui.

Não foi apenas a quantidade de estudantes que se modificou, o público das aulas rejuvenesceu. Dos alunos da Aliança, 82% têm entre 16 e 35 anos, ao contrário de épocas atrás, quando o público tinha de 20 a 48 anos. ¿Essa faixa etária dos quarenta e poucos era a última geração de alunos que teve o francês na escola¿, recorda Vieira.

Aliás, o crescimento acentuado entre o público colegial e universitário obrigou a Aliança a desenvolver novas metodologias de ensino, como a instalação de lousas eletrônicas nas salas para trazer mais dinamismo às aulas.

As causas exatas para o aumento da procura por aulas de francês não estão claras. Porém, é possível traçar um perfil do novo público. O aluno costuma ser aquele que já cumpriu com o ritual obrigatório das aulas de inglês desde criança. Quando ele vê que garantiu a fluência na sua segunda língua, ele parte para uma terceira, ali no final da adolescência. São pessoas que veem a língua francesa como um complemento à sua formação. Não buscam as aulas porque é um idioma necessário no seu currículo, mas porque gostam dele e da cultura. "E isso nos favorece, porque quando o estudante vem por prazer e não por obrigação, ele é um aluno muito mais fiel", garante Vieira.

Saber a língua de Carla Bruni pode não ser fundamental para entrar no mercado de trabalho, mas certamente dá peso para um currículo. O valor de ser poliglota, independentemente dos idiomas, alegra qualquer gerente de RH. Vieira lembra que o francês não é melhor que inglês, espanhol ou alemão. "Não temos que depreciar as outras línguas, porque quanto maior o número de idiomas você souber e culturas conhecer, melhor". Para o diretor da Aliança, o mais importante é aprender várias e não apenas aquela que o mercado pede. E garante: "Existe empregabilidade para quem fala francês."    

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