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Professores fazem curso sobre educação quilombola no Maranhão

Professores fazem curso sobre educação quilombola no Maranhão

Atualizado: Quinta-feira, 28 Outubro de 2010 as 10:24

Contar a história do negro de uma forma como nunca se ouviu antes, com a releitura do seu papel na sociedade, a devolução da autoestima e a constatação de que temos um pouco de sangue negro. A tarefa cabe a mais de 60 professores e diretores da rede municipal de ensino que atuam em áreas quilombolas de Caxias, Maranhão.

Os profissionais participam do Curso de Formação de Professores em Educação Quilombola, que faz parte do projeto Escola em Ação: Vivendo a Diversidade. Eles recebem preparação direcionada e diferenciada para atender os alunos. O projeto é desenvolvido pela Secretaria de Educação do município, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação e com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República.

O curso, em quatro etapas, é coordenado pelos professores Robson Ribeiro, Jesus Andrade, Mercilene Torres e Sandra Moura. De acordo com Jesus Andrade, nele é abordada a questão ético-social nas escolas da rede municipal.

Ministrado inicialmente na zona urbana da cidade, o curso chega a nove escolas da zona rural. A meta até 2012 é formar todos os professores do município e levar a mensagem a cerca de 32 mil alunos. "Queremos incentivar o professor a valorizar as comunidades remanescentes dos quilombos", disse. "Precisamos dar visibilidade à cultura africana, à descendência que nós temos. O povo brasileiro tem identidade e precisa preservar a memória."

Resgate — Com a formação dessa turma serão beneficiadas 800 crianças, em média. "Os professores vão levar o treinamento recebido até as áreas remanescentes de quilombo", afirmou Mercilene. "Ao mesmo tempo, vão fazer entrevistas com os moradores para resgatar a cultura local e envolver os alunos."

A professora espera que os alunos das as escolas envolvidas trabalhem em conjunto e que os professores possam, na próxima etapa, mostrar o resultado desse trabalho de pesquisa de campo.

Para o professor Francisco Miranda, que leciona nos anos finais do ensino fundamental (sexto ao nono), o momento é favorável. O curso, segundo ele, reforça o trabalho que vinha fazendo. "Fiz parte do movimento negro universitário e desenvolvia trabalho similar nas comunidades remanescentes de quilombolas", disse. Francisco salienta que o curso facilita a didática, com o uso de jogos educativos que ajudam no entendimento sobre a identidade racial.

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