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"QI" já não pesa tanto na contratação de professores

"QI" já não pesa tanto na contratação de professores

Atualizado: Sexta-feira, 9 Maio de 2008 as 12

Há uma mudança nas práticas de contratação de professores. Quesitos como didática e desenvoltura em sala de aula passaram a somar mais pontos do que a simples titulação ou a indicação de nomes por colegas. Na esperança de melhorar seu corpo docente algumas IES (Instituições de Ensino Superior) têm ido além do que faziam e passaram a aplicar métodos mais complexos de seleção de professores. Para diferenciar quem tem ou não essas "competências" algumas instituições inovam e chegam até a aplicar aula teste.

A principal razão da mudança é a preocupação com a didática pedagógica utilizada em classe. Foi sob essa óptica que a FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) procurou fazer alterações no cronograma de contratação de seus professores. Desde 2006, a instituição aplica um método diferenciado para escolher os seus futuros docentes. Segundo a secretária-geral da diretoria executiva da instituição, Ana Flávia de Faria Guimarães, o corpo docente da FESPSP era composto por mestres e doutores de excelência, mas a escola sentia necessidade de que eles fossem mais didáticos em sala de aula. Para atingir este objetivo foi preciso tornar mais amplo o processo de seleção dos professores e mais transparente de forma que a indicação, muito utilizada para selecionar candidatos às entrevistas, não fosse fonte única para a escolha dos nomes.

Ana Flávia conta que, a partir desta idéia, a universidade criou um banco de currículos, o que ampliou o leque de profissionais a serem escolhidos, mas ainda faltava melhorar o processo de seleção dos docentes. "Essas percepções nortearam a instituição a criar a metodologia de seleção de professores desde o recebimento dos currículos até uma avaliação precisa da capacidade do candidato em se expressar em sala e repassar o conteúdo de forma eficaz aos alunos".

Assim que se inscrevem no site da FESPSP os candidatos recebem uma lista de livros que compõe a bibliografia básica considerada fundamental pela instituição, além de informações sobre os objetivos e a missão da universidade. Para Ana Flávia, isso deixa claro ao candidato o que a instituição espera e irá cobrar quando este fizer parte do corpo docente. O coordenador de cada curso é quem dá o segundo passo e seleciona os currículos dos candidatos que mais estejam alinhados à oportunidade. "Nesta etapa, são levados em conta o tempo de magistério, se o professor deu aula no Ensino Médio - quesito bem avaliado porque exige do professor excelente didática - e experiências alheias específicas do ponto de vista pedagógico", explica ela.

A terceira etapa consiste em avaliar se aquilo que foi observado no currículo funciona na prática. Por isso, a instituição cria uma banca avaliadora que pode ter seis professores ou mais a qual o candidato submeterá uma aula teste de aproximadamente 30 minutos. Fazem parte da banca não só professores da mesma disciplina, como de disciplinas complementares. "Nessa avaliação temos um formulário de observação em que fazemos anotação de desempenho, consideramos tanto questões didático-pedagógicas, como de conteúdo", conta Ana Flávia.

É curioso que, mesmo sendo uma aula teste, o professor pode interromper e convidar os "alunos" a participar. "Se este for seu método para tornar sua aula mais atraente, nós o deixamos livre para agir. Só não aceitamos o uso de recursos tecnológicos, já que a finalidade aqui é avaliar a desenvoltura do professor em classe", explica a secretária-geral. Depois de tudo isso, se o professor agradar a comissão, aí sim, é convidado para uma entrevista. Em geral, seguem para esta etapa entre três ou cinco candidatos por vaga. "A entrevista servirá para averiguar o interesse do candidato e sua disponibilidade em trabalhar na instituição. Depois de alguns anos com este novo modelo, posso dizer que ele é um sucesso".

A preocupação com a didática dos professores em sala de aula também motivou a Faculdade Morais Junior - Mackenzie Rio a adotar um modelo diferenciado de seleção de docentes. Segundo o diretor da universidade, Cesar Vargas, há quatro anos, quando o método foi implantado, a universidade contava com um corpo docente altamente qualificado em termos de titulação, mas que em alguns casos não tinha a menor condição didática de entrar em sala de aula. "Daí a necessidade de implantar um novo método de seleção em que a titulação contasse pontos, até porque é uma exigência do Ministério da Educação, mas que fosse somada a outros critérios para trazer professores mais completos e preparados para a faculdade", explica.

No início, a idéia sofreu resistência. Para Vargas, fruto do tradicional medo do ser humano em relação a mudanças. Com o tempo, porém, e os bons resultados obtidos, ele afirma que o método está consolidado. "Hoje, já contratamos mais ou menos 100 professores pelo novo método. Todos eles se cadastraram no banco de currículos, passaram por análise do coordenador do curso, entrevista e aula teste. Esta última, com nota mínima a ser atingida. Portanto, etapa excludente do processo de seleção. Posso dizer que depois de termos implantado essa nova metodologia os problemas com a didática pedagógica em sala de aula acabaram", garante ele.

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