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Redes aumentam eficiência de pesquisas

Redes aumentam eficiência de pesquisas

Atualizado: Quarta-feira, 10 Junho de 2009 as 12

Além da própria colaboração entre as partes, a pesquisa estruturada em redes permite a otimização de recursos, equipamentos e pessoas. Afinal, em vez de haver diversos grupos a trabalhar em cima do mesmo tema de forma independente e, por vezes, sobre os mesmos tópicos, eles complementam as ações uns dos outros. Assim, as dificuldades de um grupo podem ser superadas pelos demais. A crescente facilidade para a troca de informações em tempo real, segundo Fernando Falco Pruski, coordenador da rede de pesquisa sobre Estudos de Regionalização de Vazões da ANA (Agência Nacional de Águas), estimula a organização de grupos de trabalho integrados de forma cooperativa.

"Existe a possibilidade de agregar informação e conhecimento e evitar superposição de ações", explica Pruski. De acordo com ele, a tendência é que as redes de pesquisa ganhem importância. "Não diria que é algo novo, mas que se intensifica agora em função dessas facilidades", afirma ele. É devido aos benefícios da troca de informações que, para Helio Chacham, sub-coordenador da rede nacional de pesquisa em nanotubos de carbono, a maior parte dos trabalhos de sua área de atuação se desenvolve por meio de colaboração. "É da natureza do nosso tipo de trabalho, que envolve diversas técnicas distintas", diz ele. Por isso, Chacham acredita que uma das vantagens da rede é extrapolar a colaboração entre pesquisadores para além dos portões da universidade e envolver profissionais de outras áreas e de outras instituições.

Pruski concorda e afirma que a organização em rede altera a forma de os pesquisadores buscarem informações. "A primeira forma de buscar algum tipo de dado ou conhecimento é a própria rede. Não há porque duplicar um trabalho ou pesquisa quando dá para trabalhar de forma associativa, cooperativa, de maneira a ampliar horizontes", declara ele. Segundo Pruski, a pesquisa em rede exige nova filosofia, com descentralização das ações. Mas a delegação de tarefas, no entanto, não elimina a necessidade de gerir as equipes de pesquisadores.

Referindo-se à rede que coordena, Pruski afirma ser necessário atribuir responsabilidades a cada ação, com definição de tarefas e de objetivos a ser cumpridos por parte de cada instituição que compõe a rede. "Para agregar informações, se não houver delegação direta de rotinas, a gestão fica complicada", alerta ele. A rede coordenada por Pruski é composta por seis instituições centralizadas na UFV (Universidade Federal de Viçosa). São elas: UFBA (Universidade Federal da Bahia), UFF (Universidade Federal Fluminense), UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), Escola de Engenharia de São Carlos e IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

Já no caso da rede de pesquisas em nanotubos de carbono, Chacham comemora o fato de, segundo ele, grande parte dos pesquisadores da área fazer parte da rede. "Isso multiplica o intercâmbio e a possibilidade de novos trabalhos nessa área", diz ele. Chacham conta que diversos estudos já nasceram dessa rede de colaboração. "É mais espontâneo. Os pesquisadores apresentam o que têm feito para os outros e se organizam naturalmente", explica. Ainda assim, a rede conta com um comitê gestor que auxilia na manutenção no desenvolvimento científico. "Durante os encontros periódicos é feita a listagem de todas as pesquisas, o que permite acompanhamento. Além disso, há relatórios periódicos enviados ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)", explica Chacham.

A prestação de contas ao CNPq é necessária porque o que motivou a organização da rede, segundo conta seu sub-coordenador, foi a abertura de edital do Conselho que destinava recursos para esse formato de organização. A partir daí, os pesquisadores que até então faziam parte do Instituto do Milênio de Nanociências se juntaram para formar a nova rede, dedicada a estudos temáticos mais específicos. "O grupo passou a ter recursos que o permitiram se tornar competitivo internacionalmente", conta Chacham, que fala ainda que a sede da rede é o departamento de física da UFMG (Universidade Federal De Minas Gerais) e que o corpo de pesquisadores é composto por profissionais das universidades federais de diversos Estados.

Com o fim dos recursos previsto para esse ano, Chacham afirma que a rede não deixará de existir. "Os editais são importantes para manter a competitividade do grupo em nível internacional, mas ela não deixa de existir porque as pessoas continuam a colaborar para melhorar as pesquisas", afirma ele. Ainda assim, a rede participou do edital de criação de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e obteve novos recursos. "O término do projeto do CNPq vai coincidir com o inicio do novo projeto, o que garante a continuidade de recursos para o grupo continuar a trabalhar em rede", conta Chacham.

Infra-estrutura

A existência de redes colaborativas de pesquisa depende da existência de infra-estrutura física para a troca de dados entre as instituições. Para exemplificar essa demanda, o gerente de comunicação e marketing da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), Marcus Vinicius Rodrigues Mannarino, cita o caso do acelerador de partículas suíço. "Ele está lá fisicamente, mas uma serie de pesquisadores espalhados pelo mundo estão envolvidos em processos colaborativos. Eles não vão se deslocar para lá para realizar as pesquisas e coletar os dados. Por meio das redes, têm condições de fazer isso remotamente", conta ele ao ressaltar porque os serviços de Internet comerciais não são adequados para a transmissão desse tipo de dado.

Essas necessidades específicas de transmissão de dados levaram ao desenvolvimento de um projeto nacional de transmissão de dados, conforme conta Mannarino. "A RNP atua na operação da rede de produção, com a infra-estrutura que liga as universidades e os institutos de pesquisa. Os pesquisadores usam a rede para trocar arquivos, trafegar grandes volumes de dados e fazer conferências", explica ele.

Por isso, em 2005, a RNP inaugurou a rede Ipê, que interliga mais de 700 institutos de pesquisa e universidades em todos os Estados brasileiros e contempla todas as universidades federais, Cefets (Centros Federais de Educação Tecnológica) e institutos de pesquisa ligados ao MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia). São 27 pontos de conexão, um em cada Estado e um no Distrito Federal. "Em 2005, dez desses pontos estavam conectados com tecnologia óptica com capacidade multigigabit. Há um anel central, que liga Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Brasília. Os Estados do Sul formam outro anel, ligado a esse, com capacidade de 2,5 gigabit por segundo", diz Mannarino.

Os planos da RNP prevêem a capilarização da rede Ipê - batizada em referência dupla à árvore e ao IP (Interne protocol) - por meio da Redecomep (redes comunitárias de educação e pesquisa). O projeto visa levar a conexão multigigabit para dentro de todas as instituições. "Em cada estado, o ponto de presença esta dentro de uma instituição, geralmente dentro de uma universidade federal. Por isso, no caso do Rio de Janeiro, por exemplo, a UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) não esta diretamente conectada", explica Mannarino.

De acordo com ele, já existem dez dessas redes metropolitanas inauguradas, com previsão de inauguração de outras 16 ainda esse ano e da última no ano que vem. "O resultado é que a universidade tem conexão de grande capacidade para se comunicar com outras instituições na sua própria cidade e com a rede Ipê, nacionalmente", explica Mannarino. A rede Ipê, por sua vez, se interliga a redes regionais latino-americanas, européias e americanas.

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