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Reitores discutem os desafios da universidade ibero-americana

Reitores discutem os desafios da universidade ibero-americana

Atualizado: Terça-feira, 1 Junho de 2010 as 11:56

O primeiro dia do 2º Encontro de Reitores Universia, em Guadalajara, no México, nesta segunda-feira (31), foi marcado por discussões sobre os desafios da universidade nas Américas, na Espanha e em Portugal.

Divididos em mesas de debates, os reitores puderam optar entre seis grandes temas de discussão: os desafios da universidade ibero-americana diante de um mundo em mudança; por um espaço ibero-americano do conhecimento; internacionalização e cooperação universitária; educação superior e o conhecimento como fatores de inclusão e coesão social; macroespaços, redes e associações internacionais de universidades e mobilidade universitária.

O reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Herman Jacobus Cornelis Voorwald, foi o mediador do debate sobre desafios. Ele fez discussões prévias pela internet antes do encontro e apresentou as três propostas de ação. Para Voorwald, é necessário criar uma classificação ibero-americana de universidades, mais periódicos científicos sobre a experiência da universidade da região devem ser lançados e é preciso ser criado um fórum sobre financiamento das universidades.

''A criação de um fórum sobre soluções para o financiamento das universidades pode ser de grande proveito para os próximos anos. Existem situações muito distintas e peculiares, mas a aprendizagem mútua é promissora'', afirmou.

No debate sobre internacionalização e cooperação universitária, foi destacada a motivação e o interesse das instituições de ensino superior sobre o assunto. As principais deficiências das universidades para alcançar os interesses internacionais são a baixa porcentagem de professores doutores (menos de 20% na região), baixa produção da ciência, tecnologia e inovação, baixa porcentagem de pesquisadores, baixo número de programas de doutorado e baixa porcentagem de mobilidade acadêmica e estudantil, menos de 3% da matrícula.

Para progredir nesse sentido, as universidades devem buscar qualidade, melhorias na contratação de docentes, difusão de pesquisas, formação integral dos estudantes e transparência nas contas, de acordo com a Declaração Mundial de Paris sobre a Educação Superior, de 1998.

As propostas feitas pelo reitor da Universidade Autônoma do Estado de Hidalgo (México), Humberto Veras Godoy, mediador do tema, foram a busca por reforços nos processos de reconhecimento de agências homologadas internacionalmente que permitam avaliar e dar uma informação confiável sobre as universidades e suas titulações, a tentativa de complementar rankings existentes, considerando forças particulares e as diferenças entre as universidades, e a promoção de um pacto entre os países para criar o espaço ibero-americano de educação superior.

Godoy disse ainda acreditar ser necessário haver um princípio geral de mobilidade entre as universidades da região, como o que já ocorre na Europa, além de facilitar a movimentação de pesquisadores e estudantes entre os países, promover práticas internacionais de estudantes em empresas e a promoção da transferência de boas práticas de unidades de gestão com programas específicos e com a mobilidade de técnicos da área administrativa.

Para o reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Walter Manna Albertoni, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está promovendo a mobilidade dentro do Brasil, o que não existia há alguns anos. ''Neste ano, nosso primeiro no Enem, recebemos muito mais alunos de outros estados do que antes'', afirmou.

O reitor disse que o desafio, nesse caso, é manter os estudantes na universidade. ''Na Unifesp, nos comprometemos a dar todo o apoio necessário para que fiquem na universidade. Não podemos perder estes estudantes'', afirmou.

Por Fernanda Nogueira

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