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Rio: maioria dos alunos sai do Fundamental sem saber Matemática

Rio: maioria dos alunos sai do Fundamental sem saber Matemática

Atualizado: Quinta-feira, 30 Setembro de 2010 as 2:26

Nove em cada dez estudantes da cidade do Rio de Janeiro chegam ao Ensino Médio sem saber Matemática. Em Português a situação também é grave: apenas 20,8% aprenderam o que deveriam no 9º ano do Ensino Fundamental. O alerta foi dado pelos próprios alunos da rede municipal do Rio de Janeiro, que soltaram a voz numa pesquisa de opinião inédita ¿ o Megafone na Escola, coordenada pelo Instituto Desiderata, em parceira com a Secretaria Municipal de Educação. Durante cinco meses, 134 estudantes de 8º e 9º anos aplicaram questionários a 2.194 colegas de 6º e 7º anos, e a 277 professores de 39 escolas municipais.

A voz dos alunos ouvidos na pesquisa amplifica as reivindicações dos 243 mil matriculados no segundo segmento (6º ao 9º ano), considerado o mais crítico. Este ano, 20% dos estudantes que vieram do 6º ano em 2009 não ingressaram no 7º ano. Na ponta do lápis significa que 17 mil ficaram para trás na corrida pelo diploma. "É um verdadeiro funil que vai retendo os alunos até que eles desistem e abandonam a escola", avalia Beatriz Azeredo, diretora do Instituto Desiderata.

A falta de profissionais para tirar dúvidas e auxiliar nas tarefas é apontada pelos adolescentes como uma das maiores barreiras para o aprendizado. Alunos do 8º e do 9º ano da Escola Municipal Henrique Dodsworth, em Ipanema, Vinícius Souza, 15, e Alexandre Alves, 16, concordam que muitos alunos precisam receber atenção especial dos professores para assimilar a matéria. "Quando a professora explica com calma eu entendo. Seria bom se tivesse mais alguém para nos orientar na aula", afirma Alexandre.

Para tentar reverter o quadro, a Secretaria Municipal de Educação oferece programas de reforço escolar e ampliou o número de escolas em horário integral. "A matemática é o nosso grande problema, pois o aluno carrega a cada ano deficiências de séries anteriores e tem dificuldade de acompanhar as aulas", diz a subsecretária de Ensino, Helena Bomeny.

Os estudantes querem aulas mais dinâmicas com recursos multimídia (computador, vídeo, fotografias). "Minha turma é agitada. Os professores conseguiriam prender a atenção se utilizassem recursos como Internet ou vídeos", comenta a colega de classe de Alexandre, Lorena Fernanda, 14, que pensa em cursar engenharia. A subsecretária diz que os professores podem contar com planos de aula, jogos pedagógicos e vídeos desenvolvidos pelo programa Educopédia, dentro do projeto Ginásio Carioca, que a partir de 2011 oferecerá aos alunos do 6º ao 9º anos uso de novas tecnologias em sala de aula e material didático atraente.

Outra queixa apontada no Megafone é a falta de quadras esportivas. Na E. M. Calouste Gulbenkian, na Cidade Nova, a quadra nem chegou a ficar pronta. As obras foram interrompidas há cinco anos. "Nunca vi a quadra ser utilizada. Só serve para criar mosquito da dengue", diz Manoel Gonçalves, 15 anos.

Do outro lado, professores reclamam da falta de regras de convivência e da pouca participação dos pais na vida escolar dos adolescentes. Casos como o da dona de casa Cristiane Brito, 37 anos, que leva sua filha ao colégio, são raros. "Vou às reuniões e pergunto sobre o desempenho dela", diz a mãe de Quézia, 12, aluna do 6º ano da Calouste Gulbenkian. Hoje, 7.750 alunos do 8º ano das escolas municipais farão o Simulado Prova Rio 2010, com questões de Matemática e Português, no Maracanãzinho e no Centro Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, das 10h às 12h.

Aulas chatas e sem dinamismo

O resultado da pesquisa Megafone na Escola, que mostrou a situação na rede de ensino municipal do Rio de Janeiro, não foi surpresa alguma para o educador Cláudio de Moura e Castro. Ele não hesita em responsabilizar o excesso de disciplinas no currículo pelo fracasso escolar.

Por que quase 90% dos alunos saem da escola sem saber Matemática?

Há uma grande escassez de professores de Matemática em todo o País. Engenheiros e físicos poderiam dar aulas, mas o Ministério da Educação exige 400 horas de curso para que eles possam lecionar.

Os estudantes se queixam da monotonia das aulas. Como mudar?

De fato a educação do Rio é ruim. As aulas são chatas. Os professores precisam torná-las mais dinâmicas e interessantes. Já os professores reclamam que a família não se importa com os estudos. Eles têm razão. Os pais só reclamam quando os filhos tiram notas ruins, mas não fazem nada quando eles não aprendem.

E como resolver isso?

É preciso chamar os pais para dentro da escola e orientá-los sobre como podem ajudar a melhorar o desempenho dos filhos.

As tecnologias melhoram o ensino?

Se não mudar o método de ensino, eles só vão ter uma aula colorida. Enquanto o professor de Biologia fala em monocotiledôneos, eles querem saber sobre o exame de DNA do goleiro Bruno. A escola tem que ensinar a ler e escrever. O problema é que ensinam muita coisa de forma superficial. Deveriam ensinar poucas, mas de verdade.

Nove em cada dez estudantes da cidade do Rio de Janeiro chegam ao Ensino Médio sem saber Matemática. Em Português a situação também é grave: apenas 20,8% aprenderam o que deveriam no 9º ano do Ensino Fundamental. O alerta foi dado pelos próprios alunos da rede municipal do Rio de Janeiro, que soltaram a voz numa pesquisa de opinião inédita ¿ o Megafone na Escola, coordenada pelo Instituto Desiderata, em parceira com a Secretaria Municipal de Educação. Durante cinco meses, 134 estudantes de 8º e 9º anos aplicaram questionários a 2.194 colegas de 6º e 7º anos, e a 277 professores de 39 escolas municipais.

A voz dos alunos ouvidos na pesquisa amplifica as reivindicações dos 243 mil matriculados no segundo segmento (6º ao 9º ano), considerado o mais crítico. Este ano, 20% dos estudantes que vieram do 6º ano em 2009 não ingressaram no 7º ano. Na ponta do lápis significa que 17 mil ficaram para trás na corrida pelo diploma. "É um verdadeiro funil que vai retendo os alunos até que eles desistem e abandonam a escola", avalia Beatriz Azeredo, diretora do Instituto Desiderata.

A falta de profissionais para tirar dúvidas e auxiliar nas tarefas é apontada pelos adolescentes como uma das maiores barreiras para o aprendizado. Alunos do 8º e do 9º ano da Escola Municipal Henrique Dodsworth, em Ipanema, Vinícius Souza, 15, e Alexandre Alves, 16, concordam que muitos alunos precisam receber atenção especial dos professores para assimilar a matéria. "Quando a professora explica com calma eu entendo. Seria bom se tivesse mais alguém para nos orientar na aula", afirma Alexandre.

Para tentar reverter o quadro, a Secretaria Municipal de Educação oferece programas de reforço escolar e ampliou o número de escolas em horário integral. "A matemática é o nosso grande problema, pois o aluno carrega a cada ano deficiências de séries anteriores e tem dificuldade de acompanhar as aulas", diz a subsecretária de Ensino, Helena Bomeny.

Os estudantes querem aulas mais dinâmicas com recursos multimídia (computador, vídeo, fotografias). "Minha turma é agitada. Os professores conseguiriam prender a atenção se utilizassem recursos como Internet ou vídeos", comenta a colega de classe de Alexandre, Lorena Fernanda, 14, que pensa em cursar engenharia. A subsecretária diz que os professores podem contar com planos de aula, jogos pedagógicos e vídeos desenvolvidos pelo programa Educopédia, dentro do projeto Ginásio Carioca, que a partir de 2011 oferecerá aos alunos do 6º ao 9º anos uso de novas tecnologias em sala de aula e material didático atraente.

Outra queixa apontada no Megafone é a falta de quadras esportivas. Na E. M. Calouste Gulbenkian, na Cidade Nova, a quadra nem chegou a ficar pronta. As obras foram interrompidas há cinco anos. "Nunca vi a quadra ser utilizada. Só serve para criar mosquito da dengue", diz Manoel Gonçalves, 15 anos.

Do outro lado, professores reclamam da falta de regras de convivência e da pouca participação dos pais na vida escolar dos adolescentes. Casos como o da dona de casa Cristiane Brito, 37 anos, que leva sua filha ao colégio, são raros. "Vou às reuniões e pergunto sobre o desempenho dela", diz a mãe de Quézia, 12, aluna do 6º ano da Calouste Gulbenkian. Hoje, 7.750 alunos do 8º ano das escolas municipais farão o Simulado Prova Rio 2010, com questões de Matemática e Português, no Maracanãzinho e no Centro Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, das 10h às 12h.

Aulas chatas e sem dinamismo

O resultado da pesquisa Megafone na Escola, que mostrou a situação na rede de ensino municipal do Rio de Janeiro, não foi surpresa alguma para o educador Cláudio de Moura e Castro. Ele não hesita em responsabilizar o excesso de disciplinas no currículo pelo fracasso escolar.

Por que quase 90% dos alunos saem da escola sem saber Matemática?

Há uma grande escassez de professores de Matemática em todo o País. Engenheiros e físicos poderiam dar aulas, mas o Ministério da Educação exige 400 horas de curso para que eles possam lecionar.

Os estudantes se queixam da monotonia das aulas. Como mudar?

De fato a educação do Rio é ruim. As aulas são chatas. Os professores precisam torná-las mais dinâmicas e interessantes. Já os professores reclamam que a família não se importa com os estudos. Eles têm razão. Os pais só reclamam quando os filhos tiram notas ruins, mas não fazem nada quando eles não aprendem.

E como resolver isso?

É preciso chamar os pais para dentro da escola e orientá-los sobre como podem ajudar a melhorar o desempenho dos filhos.

As tecnologias melhoram o ensino?

Se não mudar o método de ensino, eles só vão ter uma aula colorida. Enquanto o professor de Biologia fala em monocotiledôneos, eles querem saber sobre o exame de DNA do goleiro Bruno. A escola tem que ensinar a ler e escrever. O problema é que ensinam muita coisa de forma superficial. Deveriam ensinar poucas, mas de verdade.

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