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Saiba como lidar com a aprovação em cursos diferentes

Saiba como lidar com a aprovação em cursos diferentes

Atualizado: Sexta-feira, 16 Janeiro de 2009 as 12

Se houvesse uma pesquisa entre estudantes de todo o País sobre qual campo da ficha de inscrição do vestibular deixaram para preencher por último, o quadradinho referente à escolha do curso figuraria entre os mais citados. A dúvida é tão recorrente por dois motivos antagônicos que assolam os vestibulandos: se identificar com muitos cursos ou não reconhecer a si mesmo em nenhum deles. Para driblar essa angústia, muitas pessoas acabam por prestar provas para mais de um curso. No entanto, depois da maratona de provas, os resultados chegam com uma surpresa: a aprovação em mais de uma opção. Daí, o que fazer? Como decidir qual carreira seguir?

Este foi o caso de Fernando Viana de Carvalho Rocco, que foi aprovado em dois dos mais tradicionais vestibulares do país assim que saiu do Ensino Médio, em 2006. Ele adiou a escolha do curso até a hora de preencher a ficha de inscrição. Devido à influência de um tio que trabalhava na área, Rocco prestou atuária na USP (Universidade de São Paulo). Na Unesp (Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho), escolheu terapia ocupacional por gostar de trabalhar com pessoas. Já na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) optou por engenharia química por se identificar com as disciplinas. Se para escolher os cursos ele estava totalmente despreparado, a situação só piorou depois que foi aprovado na USP e na Unesp.

"Na pressa de entrar na faculdade, optei por um curso mesmo sem ter certeza do que queria", explica Rocco, que optou por atuária mais pela comodidade de não ter de mudar de cidade do que pelo curso em si. Para a vice-diretora da faculdade de psicologia e coordenadora do serviço de orientação profissional da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Ana Maria Pereira, a situação enfrentada por Rocco é comum. "Geralmente, a dificuldade na escolha tem relação com a falta de trabalho de orientação. A segunda opção tranqüiliza o vestibulando, já que a grande preocupação dos jovens nessa fase é entrar na faculdade", afirma ela.

Para Ana Maria, a segunda opção dá ao aluno mais confiança para experimentar o que quer. Ao mesmo tempo, pode provocar a perda do foco profissional, pois o universitário fica descomprometido com a formação. Após um ano no curso, Rocco resolveu trancar e prestar enfermagem na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Aprovado, nem chegou a cursar por causa da família, que não o apoiou. Esse ano, fez cursinho, buscou conhecer sobre as áreas e ter contato com profissionais que o fizeram se firmar em sua nova escolha: psicologia. Rocco acredita que o processo o fez criar maturidade. "A vivência na FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) me fez entender o que queria", garante ele.

Para Maria Beatriz Loureiro de Oliveira, coordenadora do serviço de orientação profissional da Unesp de Araraquara e professora da Unifran (Universidade de Franca), o processo de escolha envolve sofrimento. Segundo ela, é importante fazer uma opção consciente, pois nem sempre é possível selecionar o melhor. Prestar dois cursos diferentes pode ser favorável ao vestibulando, apesar do estranhamento que causa nas outras pessoas. Maria Beatriz acredita que isso pode revelar uma visão de mundo mais abrangente. "As pessoas não sabem do que gostam. Elas pensam, imaginam que gostam. É um processo que exige saber lidar com a incerteza", afirma. A dúvida entre cursos, para ela, é normal, afinal a quantidade de cursos que o estudante tem para escolher é abrangente.

Para o estudante, Adriano Nardi Conceição, que sempre sonhou em ser físico, escolher mais de um curso não foi bem uma opção. Depois de ter tentado por dois anos, sem sucesso, entrar na faculdade de física, resolveu tentar outros cursos. Foi aprovado em pedagogia na Unifesp, geologia na USP e física em dois diferentes vestibulares, na Unesp e na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Por ter o foco definido, não teve dificuldade de escolher. Mas o resultado da Unifesp, o primeiro a ser divulgado, despertou interesse pela vaga, pois para ele o fundamental era entrar na universidade. "Resolvi que, acima de tudo, tinha de entrar na universidade. Se não em física, que fosse em outra coisa", declara o rapaz.

No entanto, nem sempre a escolha é óbvia. O que fazer, então, quando há interesse em ambos os cursos? "Sugiro que o estudante faça uma reavaliação a partir dos critérios que o fizeram definir as opções, como o mercado de trabalho, a afinidade e o status. Analise e redefina esses critérios", recomenda Ana Maria. A coordenadora Maria Beatriz compartilha desta idéia. Para ela, é importante que o estudante busque o autoconhecimento antes de tomar qualquer decisão. "Primeiro, é importante avaliar as condições reais. Até que ponto é possível superar obstáculos que esta etapa impõe? É preciso se conhecer e saber reconhecer as frustrações", afirma Maria Beatriz. Além disso, ela acredita que é importante analisar questões econômicas e sociais, como família e amigos, principalmente quando se pensa em sair da cidade.

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