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Seleção de alunos põe escola pública entre as melhores do Enem em SP

Seleção de alunos põe escola pública entre as melhores do Enem em SP

Atualizado: Segunda-feira, 12 Setembro de 2011 as 10:14

Alunos participam de atividade em laboratório de biologia (Foto: Letícia Macedo/ G1)   Professores bem preparados e uma seleção de alunos para entrar no colégio feita por meio de uma prova são as bases do sucesso da Escola Técnica Estadual de São Paulo, conhecida como Etesp, na opinião da coordenadora pedagógica da escola, considerada a melhor escola pública do estado pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. Com 706,66 pontos na avaliação, a escola teve o quinto melhor desempenho no estado. A Etesp figura no grupo 1, que teve participação dos estudantes acima de 75% na avaliação, aplicada em 2010.

O Ministério da Educação mudou o critério de divulgação das notas por escola do Enem. Foram criadas quatro categorias de acordo com a porcentagem de participação no Enem 2010:

Grupo 1: de 75% a 100% (17,8% das escolas)

Grupo 2: de 50% a 74,9% (20,9% das escolas)

Grupo 3: de 25% a 49,9% (33% das escolas)

Grupo 4: de 2% a 24,9% (27,4% das escolas)

De acordo com a nota técnica divulgada pelo MEC, não se deve misturar as categorias para comparação de desempenho entre as escolas. As escolas que tiveram menos de 2% de participação não foram consideradas. De acordo com o MEC, a média de participação dos estudantes no Enem 2010 foi de 56,4%.

“Parte do sucesso da escola se deve ao processo seletivo, porque traz alunos em condições melhores, que têm conhecimento para dar prosseguimento ao ensino médio. A outra parte [do sucesso] se deve aos professores, que são preparados e motivados”, afirma a coordenadora pedagógica Nair Matiko Hara. O processo seletivo é bastante disputado. Na prova de seleção para o 1º semestre de 2011, 1.506 candidatos se inscreveram para concorrer a 200 vagas.

Rodrigo estuda na biblioteca da Escola Técnica

Estadual de São Paulo (Foto: Letícia Macedo/G1)

  Cerca de 90 alunos atualmente matriculados na Etesp, dos 600 que estão no curso médio, aproveitam para fazer uma formação técnica. O estudante do último ano do ensino médio Rodrigo Hideki Yamamoto, de 18 anos, que cursou o primeiro grau em escola particular, optou por uma escola técnica que ficasse perto do Metrô, mas que tivesse boa qualidade. “Eu comecei a estudar mais depois que entrei aqui. Aqui não tem cobrança. Os alunos passam pela seleção e são mais preparados”, afirma. Desde o segundo ano, ele optou por fazer também um curso técnico de informática. “Acho que vou ter uma formação muito boa e apreciada pelo mercado. Estou focado em passar no vestibular, mas pretendo começar a trabalhar já no ano que vem”, diz Yamamoto.

Kaíque afirma que portões da escola técnica estão

sempre abertos (Foto: Letícia Macedo/G1)

  O estudante Kaíque Garcia Ribeiro, de 17 anos, fez o mesmo percurso de Yamamoto. Depois de cursar escola particular, optou por fazer uma formação técnica. Segundo ele, a escola dá aos alunos liberdade para seguir seus estudos. “O portão da escola está sempre aberto. Não tem sinal para mostrar a hora de entrar em sala de aula. O aluno tem que ter responsabilidade e saber administrar tudo isso. Na verdade, eles dão a corda para você se enforcar”, brinca Ribeiro. Segundo ele, alguns colegas não souberam administrar essa liberdade e tiveram sérios problemas de desempenho.

A coordenadora pedagógica afirma que a presença em sala de aula é muito importante. Ela destaca, porém, que a escola também ensina que o aluno tem responsabilidade pelo desenvolvimento de suas competências. “Não existe um cerceamento com relação à entrada e saída dos estudantes. Eles sabem que elestêm responsabilidade sobre o conhecimento que eles estão elaborando”, diz Nair.

A escola possui uma biblioteca com 20 mil volumes, incluindo materiais de pesquisa, além de vários laboratórios de informática. As salas multimídia são equipadas com projetores, computadores e sistemas de áudio. As turmas se alternam na utilização dos laboratórios. A escola não possui uma quadra poliesportiva, mas os alunos podem utilizar a quadra da Fatec, que também pertence ao Centro Paula Souza.

Professora Soraia promove atividades

extraclasse (Foto: Letícia Macedo/G1)

  Além das condições materiais, a escola também desenvolve um trabalho extraclasse para aprofundar os conteúdos ensinados em sala de aula. A professora de geografia Soraia Moraes de Oliveira, de 46 anos, diz que promove idas, por exemplo, a um acampamento dos sem-terra e a Paranapiacaba. “No acampamento nós discutimos questões sociais e do trabalho no campo. Em Paranapiacaba, além do bioma, nós falamos sobre o processo de industrialização de São Paulo”, conta a professora. Após as visitas, o assunto é retomado durante palestras. “A discussão começa na sala de aula, vai a campo e volta para a escola no momento das palestras.”

“Todo esse processo contribui ainda para a formação da cidadania”, completa a coordenadora pedagógica Nair.

A boa reputação da escola faz com que empresas interessadas em recrutar estagiários a procurem. “Procuro manter as minhas notas boas para chamar a atenção dessas empresas”, diz Kaíque Ribeiro.

Processo seletivo da Etesp é bastante disputado (Foto: Letícia Macedo/G1)          

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