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"Treineiros piratas" inflam disputa em 14 cursos na Fuvest

"Treineiros piratas" inflam disputa em 14 cursos na Fuvest

Atualizado: Quinta-feira, 31 Março de 2011 as 9:44

A concorrência por vagas no último vestibular da USP foi inflada em até 92% com candidatos que não podiam se matricular por não terem completado o ensino médio.

Em 14 das 106 carreiras, o aumento foi superior a 10%.

Esses "treineiros piratas" não se inscreveram nas três carreiras oficiais de treineiros (exatas, humanas e biológicas) e optaram por cursos "reais", alguns com disputa e nota de corte inferiores às de treinamento. Assim, tiveram mais chances de passar.

Com os "piratas", a relação candidato/vaga de ciências da informação (Ribeirão Preto) quase dobrou --de 6,43 para 3,35; ciências da natureza e ciências da atividade física (USP Leste) ficariam abaixo de dois por vaga.

A tabulação foi feita pela Folha com base nos dados da Fuvest, entidade que organiza o vestibular da USP.

Coordenadores de cursinhos dizem que a situação prejudica candidatos reais. Os problemas citados:

1) Analisando concorrências de exames passados, um candidato pode desistir de uma carreira por ela estar com concorrência maior que a real; 2) Os "piratas" podem elevar as notas de corte, dificultando o acesso à segunda fase; 3) A convocação desses treineiros pode fazer com que o candidato real que tenha ficado atrás do 'pirata' se matricule em outra escola.

"A Fuvest tem todos os dados. Caberia a ela barrar quem ocupa espaço desnecessário", diz Alberto do Nascimento, do Anglo.

"Nas carreiras com mais de 10% de 'piratas', os prejuízos aos vestibulandos reais foram maiores. Se as inscrições tivessem sido feitas adequadamente, as notas de corte poderiam ser um ou dois pontos inferiores", afirma Paulo Lima, do CPV.

O número de "piratas" entre os aprovados subiu de 29 para 470 desde 2005.

PRECAUÇÃO

A Fuvest diz permitir que o aluno com ensino médio incompleto dispute carreiras reais porque pode ter errado o preenchimento da ficha.

Segundo a pró-reitora de graduação, Telma Zorn, a situação será analisada pela USP. Nem ela nem a Fuvest comentaram o impacto dos "piratas" nas carreiras.

A Fuvest também não informou se esses treineiros tiraram vagas de candidatos "reais" na segunda fase.

Segundo o edital, foram para a segunda fase o equivalente ao triplo do número de vagas. Se os "piratas" não foram excluídos, desclassificaram candidatos aptos.

O pedido de informação à Fuvest foi feito quarta-feira passada. A lista de aprovados saiu em dezembro.

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