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Unidades da USP têm aulas após convocação de greve por estudantes

Unidades da USP têm aulas após convocação de greve por estudantes

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 12:55

Faculdade de Letras tem assembleia marcada

para esta manhã (Foto: Juliana Cardilli/G1) A maior parte das unidades da Universidade de São Paulo (USP) tinha aulas normalmente na manhã desta quarta-feira (9), um dia após a convocação de greve geral por parte dos estudantes, decidida em assembleia na noite desta terça (8). Entre as unidades visitadas pelo G1 , apenas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e na Escola de Comunicações e Artes (ECA) o movimento de alunos era menor e algumas aulas não eram realizadas.

Os estudantes decidiram entrar em greve após a reintegração de posse ocorrida na manhã desta terça do prédio da reitoria, que foi ocupado no dia 2 de novembro. No total 72 estudantes e funcionários foram presos. Eles foram soltos apenas após o pagamento de fiança - R$ 545 por pessoa. Os alunos reivindicam o fim do convênio da Polícia Militar com a USP e a saída da PM do campus.

Quadro avisa estudantes sobre greve na Faculdade de Letras (Foto: Juliana Cardilli/G1) A maior mobilização de alunos nesta manhã estava na FFLCH. Segundo os próprios estudantes, apenas o curso de letras tem diversas aulas durante a manhã. Por isso, foi convocada uma assembleia dos estudantes do curso para as 10h, que vai deliberar como será feita a adesão à greve. Durante a manhã, muitos alunos chegaram para as aulas. Algumas ocorriam normalmente – em outras, os próprios professores liberaram os estudantes. Segundo Letícia Alcântara, diretora do centro acadêmico do curso, ainda nesta manhã membros da mobilização devem passar nas salas de aula para convocar os alunos para a assembleia e explicar os motivos da greve. “Por enquanto, a gente optou por não impedir fisicamente a entrada dos estudantes”, afirmou. Um quadro negro foi colocado na entrada da unidade, avisando sobre a greve. Ele bloqueava parcialmente a passagem.

Nos outros cursos da FFLCH, as aulas estão concentradas nos períodos da tarde e da noite – por isso, há a expectativa de que suas assembleias sejam realizadas no fim desta tarde.

Na ECA, apesar de não haver nenhuma mobilização de greve, nem cartazes avisando sobre o movimento, a circulação de alunos era menor que o normal nesta manhã, principalmente no Departamento de Jornalismo e Editoração. As aulas aconteciam, mas segundo os professores, com menos da metade dos alunos.

Em outras unidades da USP, como Faculdade de Economia e Administração (FEA), Escola Politécnica (Poli), Instituto de Matemática e Estatística (IME), Instituto de Física (IF), Instituto de Psicologia e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) as aulas ocorriam normalmente, com o comparecimento dos alunos.

Sem novas ocupações

A assembleia que deliberou pela greve também decidiu que não haveria novas ocupações ou acampamentos no campus e que o convênio entre a USP e a Polícia Militar para a segurança da Cidade Universitária deve ser revogado. Também foi votado o apoio à liberdade imediata dos estudantes e servidores detidos nesta terça, sem que sofram nenhuma retaliação administrativa, e a saída do reitor da universidade, José Grandino Rodas.

Com a aprovação da assembleia geral dos estudantes da USP, agora cada faculdade realiza uma plenária para decidir como será a participação dos alunos. Eles podem realizar piquetes, manifestações ou simplesmente aderir à paralisação.

Reitoria

O prédio da reitoria da USP seguia com policiamento reforçado da Polícia Militar na manhã desta quarta, um dia após a reintegração de posse que retirou estudantes que ocupavam o local. Por volta das 7h, dez carros da PM e três da Guarda Universitária estavam próximos à entrada do prédio pela qual os estudantes fizeram a invasão e foram retirados – além de um carro de uma equipe de segurança. Mais policiais militares monitoravam outra entrada do prédio.

O policiamento é feito para garantir a integridade do prédio e impedir que estudantes voltem a ocupá-lo. Os 72 detidos durante a reintegração de posse foram indiciados por danos ao patrimônio público e desobediência à ordem de Justiça - que havia determinado a saída do prédio da reitoria até as 23h de segunda-feira (7).

Apesar de ter sido desocupado, o prédio da reitoria ainda não voltou a suas atividades normais. Nesta terça, foi feita a perícia, mas ainda é necessário fazer a limpeza e reparar danos. Paredes foram pichadas, móveis revirados e quebrados e havia muita sujeira dentro do prédio. Segundo a USP, os funcionários devem voltar a trabalhar no local apenas nesta quinta-feira (10). Por volta das 7h30 desta quarta, funcionários de uma empresa terceirizada aguardavam a ordem para iniciar a limpeza do prédio.          

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