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Universitários de Taubaté (SP) terão de prestar serviços comunitários após trote

Universitários de Taubaté (SP) terão de prestar serviços comunitários após trote

Atualizado: Sexta-feira, 21 Agosto de 2009 as 12

Alunos do curso de medicina da Unitau (Universidade de Taubaté), no Vale do Paraíba, terão de prestar serviços comunitários em um asilo e pagar multas por terem praticado trotes violentos contra calouros no início deste ano.

A punição foi definida em acordo firmado com o Ministério Público, que evitou que os universitários respondessem a processo por crime de constrangimento ilegal. Cinco estudantes, matriculados no 4º, 5º e 6º anos do curso, foram punidos: quatro deles com prestação de serviço e multa e um deles apenas com multa.

No acordo, a Promotoria ainda se comprometeu a não divulgar o nome dos envolvidos e o da instituição onde eles irão prestar os serviços.

O caso começou a ser investigado depois de um calouro procurar a polícia para denunciar os abusos praticados pelos veteranos nos trotes, que aconteceram no início do ano letivo, em fevereiro. Constrangido pelas humilhações que sofreu, o aluno desistiu do curso.

"[Os veteranos] fizeram barbaridades [contra os calouros]. Cuspiam na cara, simulavam sexo na rua e os obrigavam a ingerir álcool em excesso, a comer ovo cru e até lamber vômito", afirma o promotor Antônio Carlos Ozório Nunes.

De acordo com o promotor, no início do ano 52 alunos fizeram denúncia anônima à direção da Unitau confirmando os abusos. Depois, todos eles, com exceção do calouro que procurou a polícia, voltaram atrás e, por pressão dos veteranos, se negaram a testemunhar contra os suspeitos.

A Unitau, por meio de sua assessoria, diz que não comentará a punição aplicada aos alunos de medicina. Afirma ainda que abriu uma sindicância para apurar o caso, cujo resultado deve ser divulgado nos próximos dias. Ainda de acordo com a universidade, os cinco estudantes envolvidos nos trotes continuam frequentando as aulas normalmente.

Eles vão ter que pagar multas que variam de R$ 1.000 a R$ 3.000, em um total de R$ 10 mil. Todo o dinheiro será revertido para um asilo da cidade. Dois dos veteranos, considerados os mentores dos trotes, vão ter que cumprir seis meses de trabalhos comunitários no asilo. Outros dois vão se dedicar ao trabalho, no mesmo local, por três meses.

Advogado de quatro dos cinco universitários, Decio Azevedo nega envolvimento deles em trotes violentos. Segundo ele, os alunos aceitaram o acordo com o Ministério Público para evitar o processo e também para servir de exemplo.

"Nenhum deles aplicou trote violento. Mas eles aceitaram fazer esse acordo para que, no futuro, venham a servir de exemplo. O que precisa é coibir os abusos", diz o advogado.

A reportagem não conseguiu falar com o advogado do outro aluno punido.

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