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Vândalos cortam luz e água de escola pública de SP para suspender aula

Vândalos cortam luz e água de escola pública de SP para suspender aula

Atualizado: Segunda-feira, 17 Maio de 2010 as 9:52

Danos na rede elétrica e no sistema de abastecimento de água da escola estadual Palmira Grassiotto Ferreira da Silva, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, provocaram a dispensa dos alunos dos períodos da tarde e da noite em, ao menos, dois dias da primeira semana de maio.

Pais, estudantes e funcionários da escola ouvidos pelo G1 atribuem o problema a uma ação de vandalismo praticada pelos próprios alunos. ''Cortaram os fios do poste e metade da escola ficou sem luz'', disse um funcionário, que pediu para não ser identificado.

Por causa da ação, a bomba d'água da escola queimou por continuar funcionando após o registro geral ser fechado. A unidade atende cerca de 1.700 alunos do ciclo 2 do ensino fundamental e do ensino médio.

Os problemas são propositais, de acordo com uma aluna de 18 anos que faz a 8ª série à noite. ''Teve um dia que mal chegamos e já fomos embora porque ficou escuro. Todo mundo começou a gritar. Foi um grande tumulto'', disse.

As ações de vandalismo não param por aí. Nesta quinta-feira (13), os alunos do ensino fundamental fizeram uma ''guerrinha'' de maçãs - produto da merenda escolar - na saída da aula, ainda dentro da escola. As crianças contaram que a brincadeira é comum e também ocorre com bananas e caquis.

''É uma situação preocupante, mas minha filha não tem onde estudar”, afirmou um segurança de 33 anos que foi buscar a filha na escola. A garota de 11 anos, da 5ª série, disse que alguns colegas já saíram machucados da guerra de frutas. ''Os diretores costumam reclamar da brincadeira, mas ninguém os respeita'', disse.

Bullying

Há ainda ao menos um caso de bullying na escola. Matriculada na 6ª série, uma garota de 11 anos está afastada desde março por orientação médica. Seus pais contaram ao G1 que ela foi vítima de bullying, o que agravou seu quadro de epilepsia. A garota tem tremores e espasmos quando se emociona.

''Começaram uma perseguição sem motivo. Minha filha não podia nem rir que os alunos achavam que era algo sobre eles. Aí, vieram as ofensas morais'', disse o pai da garota, um autônomo de 37 anos, que pediu para não ser identificado. ''Vi um moleque do meu tamanho bater na cabeça dela. Fui tirar satisfação'', afirmou.

A irmã da garota, de 12 anos, também é vítima de bullying, segundo a família. Ambas estão sob acompanhamento psicológico. Revoltada, a família colocou a casa, no Parque São Bernardo, à venda e pretende se mudar para o interior de São Paulo.

Secretaria

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Educação disse que o quadro de luz e a bomba que abastece a caixa d'água foram danificados na quarta-feira (5), por volta das 21h30, e, na quinta-feira (6), uma equipe técnica resolveu os problemas.

Sobre o desperdício das frutas da merenda escolar, a secretaria afirmou que não há registros de alunos machucados. Sobre o caso de bullying, disse que a coordenação pedagógica da escola está fazendo um acompanhamento domiciliar.

O texto afirma ainda que a secretaria atua em várias frentes para coibir o vandalismo e a violência nas escolas.

A assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual afirmou que a escola passa por uma investigação, mas não deu detalhes sobre o trabalho. De acordo com a assessoria, o promotor da Infância e Juventude de São Bernardo do Campo, Jairo Edward de Luca, que atua no caso, estava em audiências e não poderia comentar o caso na sexta-feira (14).

Por Vanessa Fajardo

Foto: G1

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