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Veja dicas de intercâmbio na Austrália

Veja dicas de intercâmbio na Austrália

Atualizado: Segunda-feira, 12 Março de 2012 as 8:04

Um dos poucos países de língua inglesa que, além do desenvolvimento, também oferece clima mais ameno que as baixas temperaturas do hemisfério norte, a Austrália tenta driblar o alto custo de vida e da passagem aérea com a facilitação da emissão de vistos e a oferta de educação de excelência. Em 2011, mais de meio milhão de pessoas de 180 nações diferentes estavam matriculadas em algum curso no país, que tem cerca de 22 milhões de habitantes.

Entre os dez países com maior número de intercambistas no país da Oceania, o Brasil é o único que não fica na Ásia ou no Oriente Médio. Ao todo, 15.285 brasileiros estudavam lá no ano passado, segundo dados do consulado do país em São Paulo. Entre 2008 e 2011, foram cerca de 65 mil intercâmbios.

Alexandre Chevir, de 16 anos, já tinha em mãos todos os documentos exigidos pelo programa de intercâmbio nos Estados Unidos que tinha escolhido, mas decidiu trocar o país da América do Norte pela cidade de Brisbane, na costa leste australiana, depois de descobrir as opções ofertadas pelo país da Oceania.
"Deu vontade de ver os programas na Austrália por curiosidade. Falei com um amigo de um amigo que já tinha ido para lá, e encontrei um colégio com convênio com uma academia de tênis. Como eu jogo tênis, gostei do programa", contou o adolescente, que embarca em julho para seu intercâmbio de seis meses.
Alexandre considera bom o seu domínio do inglês e disse que resolveu fazer a viagem pela experiência. Mas a maioria dos estudantes que buscam a Austrália pretendem adquirir fluência no idioma.

É o caso de Carolina Brenoe. A estudante de 27 anos cursava odontologia no Brasil, mas não estava feliz com a carreira que havia escolhido.
"Decidi fazer a viagem para estudar inglês e voltar para estudar em uma área da qual eu gostasse", contou a estudante. Ela passou nove meses no exterior com o noivo, que é engenheiro, mas decidiu largar o emprego para investir em aprender o idioma. Os dois voltaram ao Brasil no início do ano.
A jovem, que agora pretende estudar administração, contou ao G1 que preferiu morar em Sidney, na costa leste, porque a cidade é grande como São Paulo. "É uma São Paulo menor e melhor no sentido de organização, violência, poluição. É bonita e tem muitos parques", disse. Entre as diferenças apontadas por ela estão o frio - o casal chegou em maio de 2011 à Austrália, pouco antes do inverno - e o custo de vida, já que o de Sidney é mais alto que o da capital paulista.


"É caro, mas você ganha em dólar, então acaba conseguindo pagar aluguel e ainda sobra algum dinheiro." Com as economias que fizeram em seis meses, os dois viajaram durante três meses pela Indonésia e Tailândia. Eles trabalharam em meio-período - permitido para quem tem visto de estudante com duração a partir 90 dias -, e pagavam 600 dólares australianos de aluguel por pessoa (cerca de R$ 1.130). "Eu trabalhei em um restaurante", disse ela, que afirmou ter tido dificuldades para compreender o sotaque australiano apenas durante o primeiro mês.
Uma das desvantagens que os brasileiros encontram na Austrália, segundo Carolina, é a comida. "Não tem a variedade de frutas e legumes do Brasil, e a qualidade é pior. Usam muito hormônio nos alimentos, não tem aquela suculência da fruta do Brasil." Além disso, ela afirmou que comer na rua é muito caro e que o casal preferiu cozinhar em casa.

Trabalhos braçais
O publicitário Marcus Vinicius da Silva Farias, de 25 anos, vive desde abril de 2011 na cidade de Perth, no oeste australiano, e também reclamou da variedade das frutas, legumes e verduras no seu lado do país.
Ele também alertou quem pretende trabalhar para se manter na Austrália. "Você deve estar preparado física e psicologicamente para essa aventura, afinal, as opções que são oferecidas aqui são aquelas que você nunca cogitou no Brasil." Desde que chegou, Marcus afirmou que já trabalhou como faxineiro, pedreiro, montador de móveis, garçom, camareiro, bartender, auxiliar de cozinha e preparador de sanduíches.


O jovem, que foi acompanhado da namorada, Fernanda Ferreira Mizzin, decidiu pela viagem porque sentia que seu inglês não era bom o suficiente para os cargos aos quais almejava. "Sempre tive o sonho de viajar para fora do país. Antes de vir para a Austrália, estava no Brasil vendo algumas boas oportunidades passarem simplesmente pelo fato de não ter o inglês fluente no currículo. Por isso, decidi unir a minha vontade de aventura a essa necessidade profissional, e o resultado é esse quase um ano aqui na terra dos cangurus", contou Marcus aoG1.

O estudante faz parte de mais da metade dos brasileiros (8.607) que estavam na Austrália em 2011 para fazer um curso de inglês, conhecido por lá como Elicos (Cursos Intensivos de Língua Inglesa para Estudantes Estrangeiros, na sigla em inglês). Outros 5.603 viajaram para fazer cursos de ensino técnico e profissional, que na Austrália se chamam VET (Educação e Treinamento Vocacionais, na sigla em inglês). Além deles, a Austrália divide as permissões de estudo em outras três categorias: ensino superior, ensino médio e outros

Moeda fortalecida
Desde 2009, por causa do fortalecimento do dólar australiano em relação ao americano e ao canadense, a procura dos estudantes do Brasil pela Austrália caiu 12,9%, mas, nos últimos quatro anos, o crescimento de universitários interessados em fazer parte ou a totalidade de um curso de ensino superior no país cresceu 11%.
Segundo Patricia Monteiro, gerente de Educação da Comissão de Comércio Australiano, ligada ao governo da Austrália, como o país está mais longe do Brasil e tem câmbio mais forte que os Estados Unidos e o Canadá, a maior parte dos estudantes que escolhem a Austrália como destino preferem os cursos de pelo menos seis meses. "Só assim compensa o gasto", explicou ela ao G1.
Para reverter a queda nos últimos anos, o governo australiano tem tomado novas medidas e agora quer atrair estudantes interessados em usar a educação como trampolim para o futuro. Para isso, a Austrália mudou a sua marca para "Futuro sem limite" e tenta se distanciar da ideia de que o ponto forte do país são as paisagens naturais e as espécies inusitadas de animais. "Queremos mostrar a Austrália mais inovadora, moderna e focada no lado acadêmico", disse Patricia.
Entre as mudanças já em vigor estão mais facilidades para tirar o visto de turismo, que permite participar de cursos de até três meses. Desde 15 de fevereiro, é possível requerer esse visto pela internet. Quem quer cursar o ensino superior no país também não precisa apresentar tantos detalhes sobre a situação financeira como nos casos de cursos de inglês ou ensino técnico. Além disso, o governo australiano está em negociação com o brasileiro para oferecer até 700 bolsas de estudo neste ano através do programa Ciências sem Fronteiras.

Outro diferencial da Austrália muito aproveitado por brasileiros como Carolina e Marcus é permitir que estudantes de cursos com duração de mais de três meses trabalhem até 20 horas por semana. Quem concluir um curso de pós-graduação no país também poderá trabalhar até dois anos na Austrália com um visto de "trabalho pós-estudo". Além disso, o país emite certificações para escolas poderem receber estudantes internacionais e para as agências de turismo que queiram vender pacotes australianos, o que facilita a vida dos estudantes.


Sem data para voltar
Apaixonados pelo país, Marcus Vinicius e a namorada ainda não têm data para voltar ao Brasil. O jovem afirmou que só pretende retornar quando sentir que seu domínio do inglês é o mais avançado possível. O casal aproveitou um tipo específico de visto australiano para aproveitar ao máximo seu tempo no país. Segundo Marcus, sua namorada tirou o visto de estudante, que exige o comprovante de matrícula em um curso certificado pelo governo da Austrália, pelo período de seis meses. Ele recebeu uma das categorias de vistos destinadas aos parceiros (casados ou não) dos estrangeiros com permissão.
Quando ambos expiraram, o casal fizeram novos vistos de dentro da própria Austrália. "Nos primeiros seis meses ela estudou e eu trabalhei, e agora eu estou estudando e ela está trabalhando", disse Marcus.


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