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Veteranos do rock se dividem entre a música e a vida acadêmica

Veteranos do rock se dividem entre a música e a vida acadêmica

Atualizado: Sábado, 19 Março de 2011 as 8:54

Greg Graffin tem uma legião de fãs pelo mundo como vocalista da banda punk Bad Religion. Mas quando não está em turnê, Graffin trabalha como professor de ciências dando aulas sobre evolução e paleontologia para alunos da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA). Ele e outros astros do rock e da música vivem uma carreira paralela de professor universitário nos Estados Unidos.

O líder da banda punk vê muitas semelhanças entre o rock e a vida acadêmica. "Eu não acho que seja muito diferente estar no palco em um show punk e estar em uma sala de aula", disse Graffin, que é formado em antropologia e geologia e tem doutorado em zoologia. "Sei que parece loucura, mas na minha perspectiva, o objetivo é o mesmo", diz Graffin sobre tocar música e ensinar ciência. "Na nossa banda, nós temos sempre perguntas e provocamos as pessoas a pensar. E nós nunca dizemos que temos as respostas, e que é muito coerente com os desafios científicos."

O lendário guitarrista Steve Miller recentemente se tornou um artista residente na prestigiada Escola de Música Thornton, da Universidade Southern California (USC). E o famoso criador de sucessos como "The Joker"e "Life in the Fast Lane" não foi o primeiro guitarrista para ir de palco para a sala de aula.

Mark Volman, co-fundador do The Turtles, que fez sucesso nos anos 60, e que integrou a banda de Frank Zappa, é diretor o departamento de estudos de desempenho na Universidade Belmont, em Nashville. O compositor Lamont Dozier, que criou hits para artistas como Phil Collins e The Supremes, também dá palestras sobre a sua arte na USC.

O time de professores roqueiros tem ainda o compositor Rob Leonard, que teve música cantada até no festival de Woodstock pela banda Sha Na Na. Leonard dirige o departamento de linguística forense da Universidade Hofstroa, em Nova York.

“Eu gosto de dizer que eu sou uma das poucas pessoas que já trabalhou com o FBI e com o Grateful Dead ", diz Leonard, que já treinou agentes do FBI sobre como analisar a linguagem em busca de pistas para resolver crimes. Leonard diz que se interessou em linguística depois de pergunta à sua gravadora para onde tinha ido todo o dinheiro de uma das turnês de Sha Na Na. "Eles disseram: ‘Leia o contrato’'', brinca Leonard.

Volman, que começou a lecionar a tempo inteiro há 14 anos, costuma dar conselhos aos alunos a cada ano. “É preciso mais que talento musical para ter sucesso na indústria da música”, diz.

Para aqueles que possam pensar que a indústria da música mudou muito nos últimos anos para que um astro dos anos 60 e 70 possa ainda ter conselhos importantes a dara aos alunos. Volman lembra que seu hit "Happy Together" foi baixado da internet aproximadamente 90 mil vezes este ano.

"E eu ganhei 79 centavos de dólar por cada download que custa 99 centavos", ele diz a seus alunos em sala de aula sobre o lado comercial da música. "É muito diferente do caso do artista que não possua a sua música, que recebem apenas 9 centavos de dólar."

Volman diz que gostaria de ver ouros artistas veteranos lecionando. “Eles teriam muita experiência real para passar aos estudantes”, avalia. O maior obstáculo para muitos astros do rock, no entanto, é que as universidades norte-americanas exigem certificados avançados para os seus professores. Volman, por exemplo, só obteve o diploma de mestre após os 50 anos.

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