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Veteranos podem ter de pagar R$ 100 mil por trote violento

Veteranos podem ter de pagar R$ 100 mil por trote violento

Atualizado: Segunda-feira, 8 Março de 2010 as 12

O Fantástico mostra como estão as investigações sobre o trote violento promovido por estudantes de medicina da Grande São Paulo. Semana passada, nós exibimos as cenas de agressão e de humilhações contra os calouros. O caso repercutiu no Brasil todo e cada veterano violento pode ter de pagar uma indenização no valor de R$ 100 mil.

"Principalmente os que cometeram os atos de barbaridade, as cusparadas, os tapas e as agressões. Esses serão os principais alvos da investigação do Ministério Público Federal", afirma o procurador da Republica, Matheus Baraldi Magnani.

O procurador investiga o trote violento filmado pelo Fantástico no dia 22 de fevereiro contra calouros de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), na Grande São Paulo, e já decidiu: vai entrar na Justiça com uma ação civil pública pedindo que a universidade pague um total de R$ 1 milhão de indenização e cada veterano flagrado, mais R$ 100 mil. O dinheiro seria destinado para os municípios do Brasil considerados carentes em saúde, cultura e educação.

"O autor do trote vai pensar duas vezes antes de praticar uma barbaridade dessas se tiver a certeza de que ela vai custar dois, três ou quatro anos de trabalho", afirma Matheus Baraldi Magnani.

Segundo a polícia, pelas imagens os veteranos podem ser indiciados por crime de constrangimento ilegal, com pena de três meses a um ano de cadeia. Mas o procurador da República diz que, em casos assim, dificilmente alguém vai preso. As penas costumam ser alternativas, como o pagamento de cestas básicas.

"A gente vai pegar os autores do trote pelo bolso", diz Matheus Baraldi Magnani.

Até agora, uma semana depois da exibição das imagens de violência, a Universidade de Mogi das Cruzes não conseguiu dizer quem são os rapazes que agrediram e humilharam os calouros com tapas, cusparadas de cerveja e fígado de boi estragado.

"Esses alunos já foram identificados como alunos, mas nós não temos os nomes. Se os nomes não aparecerem, nós confrontaremos as imagens, identificaremos os alunos e eles serão punidos de maneira exemplar", aponta José Augusto Peres, pró-reitor da UMC.

A universidade sabia que a festa seria realizada e, segundo o pró-reitor, o coordenador do curso de Medicina avisou os calouros que o comparecimento não era obrigatório.

"Para a universidade, esse era um evento de confraternização. Infelizmente, parece que algumas pessoas não entenderam assim, e a gente acabou assistindo a cenas que são lamentáveis", afirma José Augusto Peres.

A Universidade de Mogi das Cruzes abriu sindicância para apurar o trote violento. Ao todo, 50 alunos prestaram depoimento. Já a polícia afirma ter os nomes de dois veteranos que teriam humilhado e agredido os calouros durante a festa.

"Essas duas pessoas seriam os agressores: quem deu o tapa e quem deu a cusparada", diz o delegado João Roque.

Por enquanto, o delegado prefere não divulgar os nomes dos suspeitos. "A gente tem de ter calma para chegar a um esclarecimento e não cometer injustiça", diz João Roque.

Segundo a polícia, uma das dificuldades na investigação é que ninguém registrou boletim de ocorrência até agora. "Queria pedir para a população acalmar. A policia está tomando providências, e o Ministério Público está junto", declara o delegado.

"A Ordem dos Advogados do Brasil irá acompanhar todo esse procedimento para que nós consigamos responsabilizar essas pessoas", aponta o presidente da OAB de Mogi das Cruzes, Marcos Soares.

Esta semana, novos vídeos de trotes em outras universidades brasileiras apareceram na internet. Em um deles, rapazes aparentemente dão bebida alcoólica para dois estudantes e para uma estudante. Outro vídeo também chama a atenção: há xingamentos e depois os supostos calouros ficam presos a um poste.

Telespectadores do Fantástico também mandaram e-mails denunciando casos de violência em trotes em vários estados, como Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. As mensagens descrevem estudantes que tiveram de correr sem roupa, levaram socos e foram recebidos até com fezes de animais.

Para o Ministério Público Federal, a ação civil pública para que os veteranos violentos de Mogi das Cruzes paguem indenização de R$ 100 mil cada pode ajudar a combater tanta brutalidade.

"Essa iniciativa pode ser reproduzida em cascata no Brasil todo. Se isso acontecer, eu acredito que vai ser o grande mecanismo para evitar o trote violento e acabar com essa figura que já existe há algum tempo e já deveria ter deixado de existir", diz o procurador da República, Matheus Baraldi Magnani.

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