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Vinte alunos pediram transferência depois da chacina, mas três resolveram voltar à escola de Realengo

Vinte alunos pediram transferência depois da chacina, mas três resolveram voltar à escola de Realengo

Atualizado: Segunda-feira, 18 Abril de 2011 as 11:45

Nos primeiros quatro dias após a chacina em Realengo, 20 estudantes pediram transferência da Escola Municipal Tasso da Silveira, cenário da tragédia, mas três já cancelaram a solicitação. “Entre os que pediram para voltar, está um menino que foi ferido”, contou o diretor da escola, Luis Marduk. “É um bom sinal.”

O portão da escola será reaberto nesta segunda-feira (18), às 13h, pela primeira vez deste a morte de 12 alunos, para atividades de estudantes da 9ª série. Não haverá aulas regulares, apenas encontros no pátio e na quadra de esportes. Os alunos serão convidados a selecionar trechos de poemas com o tema da paz.Os demais alunos da escola, inclusive os da 8ª série, que tiveram contato direto com o assassino Wellington Menezes de Oliveira, só retornarão a partir de terça-feira, em horário reduzido, nos três turnos. “O retorno às aulas vai depender muito do tempo de superação dos alunos”, disse Marduk.

“Vamos avaliar a resposta psicológica de cada um neste momento”, observou o diretor. “Os que estão mais fortalecidos ajudarão os outros”.

Em busca de informações sobre o recomeço das aulas, Luciana Nascimento de Azevedo, mãe de um menino de 12 anos, notou uma diferença na escola, além dos muros pintados de branco. “Agora tem polícia de plantão na porta”. Segundo ela, seu filho quer voltar logo. “Ele quer reencontrar os amigos que não perdeu.”

Entenda o caso

No dia 7 de abril, por volta de 8h30, Wellington Menezes de Oliveira entrou na escola Tasso da Silveira, em Realengo, dizendo que iria apresentar uma palestra. Já na sala de aula, o jovem de 23 anos sacou a arma e começou a atirar nos estudantes. Segundo testemunhas, o ex-aluno da escola queria matar apenas as alunas virgens. Wellington deixou uma carta com teor religioso, onde orientava como queria ser enterrado e deixando sua casa para associação de proteção de animais.

O ataque, sem precedentes na história do Brasil, foi interrompido após um sargento da polícia, avisado por um estudante que conseguiu fugir da escola, balear Wellington na perna. De acordo com a polícia, o atirador se suicidou com um tiro na cabeça após ser atingido. Wellington portava duas armas e um cinturão com muita munição.

Doze estudantes morreram --dez meninas e dois meninos-- e outros 12 ficaram feridos no ataque.    

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