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Zumbi dos Palmares forma primeira turma

Zumbi dos Palmares forma primeira turma

Atualizado: Segunda-feira, 31 Março de 2008 as 12

"Precisamos criar um país em que todos possam sentar nos bancos das universidades", disse o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva na madrugada do último dia 14, para 126 formandos - 87% negros - e suas famílias. O presidente e o ministro da Educação, Fernando Haddad, participaram, em São Paulo, da colação de grau da primeira turma de administração da Faculdade Zumbi dos Palmares - que busca ampliar o acesso do negro ao ensino superior.

Para o presidente, o jovem pobre brasileiro se depara com duas dificuldades ao prestar vestibular: a alta competitividade para conseguir uma vaga nas universidades federais e a falta de recursos para pagar mensalidades caras nas particulares. "Vamos reverter essa situação porque, até 2010, vamos inaugurar dez universidades novas, 48 extensões universitárias em todo o Brasil e 214 escolas técnicas" afirmou.

Em relação ao acesso ao ensino superior dos negros, Lula destacou que o país está mudando para melhor. "A gente não via um negro dentista, um negro médico. Quantos negros advogados?" perguntou o presidente. Já o ministro Haddad contou que em 15 anos na Universidade de São Paulo (USP) - estudou direito, economia e filosofia - não conviveu com nenhum colega negro. "Hoje vivemos a realidade em que as universidade públicas adotam políticas afirmativas e as particulares contam com o ProUni", lembrou, referindo-se ao Programa Universidade para Todos de concessão de bolsas a alunos de baixa renda.

Haddad destacou que uma das medidas para ampliar o acesso ao ensino superior de todos os brasileiros foi a assinatura dos acordos de metas do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), realizada na quinta-feira, 13, no Palácio do Planalto. Todas as 53 universidades federais aderiram ao Reuni, que prevê, entre outras medidas, a duplicação do número de vagas até 2012.

"Se continuarmos com essas políticas públicas, de financiamento estudantil, concessão de bolsas, ampliação de vagas e apoio a iniciativas privadas, o Brasil será mais igual na sua diversidade", ressaltou o ministro.

Durante a cerimônia, o presidente contou a história de duas alunas pobres e negras da instituição - Elaine Duarte e Andressa Santos - que conseguiram se formar mesmo em condições adversas, e destacou o apoio das famílias nesse processo.

De acordo com o presidente, o pai de Elaine era vigia desempregado e sua renda como catador de papelão era insuficiente para custear os estudos da filha. Diante das dificuldades, os pais não deixaram de apóia-la. A frase que a mãe sempre repetia - "a gente toma sopa de pedra, mas você termina a faculdade" - representa a luta da família para garantir à filha o direito de aprender que eles não tiveram. Já Andressa vendia frutas desde pequena para complementar a renda familiar. Hoje, as duas estão empregadas em bancos.

Os ministros Alfredo Nascimento (Transportes), Márcio Fortes (Cidades), Edson Santos (Igualdade Racial), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Luiz Marinho (Previdência) e Orlando Silva (Esporte) também participaram da cerimônia de colação de grau.

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