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De Menino da Vila a 'chefe', Elano orienta garotos e busca taças inéditas

De Menino da Vila a 'chefe', Elano orienta garotos e busca taças inéditas

Atualizado: Sexta-feira, 29 Abril de 2011 as 11:10

Elano completa 30 anos no dia 14 de junho. Rodou o mundo. Disputou Copa. O meia, que também já foi um Menino da Vila, hoje é o chefe dos garotos. Tem tanta autoridade no clube que opina até sobre contratação de técnico. Quando o Peixe ainda não havia fechado com Muricy Ramalho, o camisa 8 procurou a diretoria santista para defender a chegada do treinador e cobrar uma solução rápida. Não usa a tarja, que é de Edu Dracena, mas posa de capitão.

    Agora, ele se prepara para liderar o time na semifinal do Campeonato Paulista, neste sábado, às 16h (horário de Brasília), no Morumbi, contra o São Paulo. Deixou o Peixe em 2005, logo após conquistar o bicampeonato brasileiro. Voltou no início desta temporada e já encara decisões - além do Paulistão, o  Peixe está nas oitavas de final da Taça Libertadores.

Em conversa com o Globoesporte.com , o jogador falou sobre essa maratona de decisões que o time está enfrentando, sobre o seu papel como líder dos garotos, da volta à Seleção Brasileira - seu grande objetivo ao retornar ao Brasil. Analisou o São Paulo, mas não arriscou prognóstico.     Elano revelou também que, apesar de estar perto dos 30, ainda sonha jogar em um grande clube europeu. Ele passou quatro anos e meio no futebol do Velho Continente, mas sempre defendendo times do segundo escalão: Shakhtar Donetsk (Ucrânia), Manchester City (Inglaterra) e Galatasaray (Turquia).

Por fim, o meia falou sobre sua vida pessoal, a separação e o namoro com a atriz Nívea Stelmann. Confira os melhores lances do papo.

Globoesporte.com: Você deixou o Brasil, em 2005, logo após conquistar seu segundo Brasileirão pelo Santos. Voltou agora e já está em clima de decisão. É como se não tivesse saído?

Elano: Minha volta está sendo muito bonita, gostosa. Tudo o que eu programei está acontecendo. Voltei para onde eu queria, onde iniciei minha história e estou podendo dar continuidade. E sempre disputando títulos. Isso é o que sempre mais me motivou.

O Santos está na semifinal do Paulista e nas oitavas de final da Taça Libertadores, títulos que você não conseguiu conquistar na primeira passagem. Como você situa o time entre os concorrentes?

Pois é. Faltaram esses dois títulos. Espero poder ajudar o Santos a conquistá-los. A disputa é bem difícil, mas vejo a equipe no mesmo nível dos concorrentes. Passamos por um momento conturbado, com coisas que precisavam ser corrigidas. Agora, o time está muito bem, fazendo gols e se defendendo com consistência.

Elano foi um defensor da contratação de Muricy Ramalho pelo Santos (Foto: Fernando Pilatos / Globoesporte.com)

  A chegada do técnico Muricy Ramalho ajudou nessa correção de rota da equipe?

Com certeza. A participação dele é fundamental. O Muricy colocou as peças nos lugares certos. Está bonito de ver: todo mundo com sua função definida. Agora, temos um time bem posicionado. Por sua experiência e seriedade, cobrando sempre melhoras, o Muricy soube recolocar o time no caminho certo. Ele tem uma maneira simples de trabalhar e a resposta do grupo está sendo muito rápida.

Qual é a análise que você faz do São Paulo, adversário santista na semifinal?

É um grande adversário, com jogadores jovens, rápidos e de muito talento, como o Santos. O ataque deles se movimenta muito, os jogadores não têm função fixa, estão por todos os lados. Como nós também temos essas características, será um grande jogo.

O Rogério Ceni disse que o Santos é um grande time também, mas com pontos fracos. Só não disse qual. Você também vê pontos fracos no São Paulo?

Eles têm falhas, como o Santos tem, como todas as equipes têm. O Barcelona, que é o melhor time do mundo, outro dia perdeu a Copa do Rei para o Real. Ou seja, eles erraram em alguma coisa. É natural, faz parte do futebol. Agora, eu não vou falar aqui qual é o ponto fraco do São Paulo (risos).

O estado do gramado do Morumbi preocupa (o campo ficou prejudicado por causa de shows musicais realizados no estádio)?

Eu vi as imagens e achei uma judiação. O Morumbi sempre teve um gramado excelente e agora está bem ruim. É claro que preocupa. Vai prejudicar não só o Santos, mas também o São Paulo. São dois times leves, de toque de bola. Sem dúvida vai atrapalhar a qualidade do espetáculo.

No primeiro turno, o Santos venceu o São Paulo por 2 a 0, na Arena Barueri. Você inclusive fez um dos gols. É um bom presságio?

Tomara, mas é difícil analisar. Os times são diferentes. O Santos, por exemplo, estava com muitos desfalques. Aquele nosso início foi difícil. Houve várias mudanças, inclusive de mentalidade. Hoje, estamos mais fortes, acredito. Mas o São Paulo também evoluiu muito.

Quanto ao aspecto físico, como o Santos e você, particularmente, chegam a essa semifinal? O Santos vem numa intensa sequência de jogos decisivos...

Estamos bem. Na verdade, temos de nos adaptar a esse calendário apertado. Futebol no Brasil é assim. Estamos buscando nos preparar da melhor maneira possível, priorizando descanso, alimentação. Quanto a mim, estou legal. Depois da lesão que sofri na Copa do Mundo (o meia lesionou o tornozelo direito durante jogo contra a Costa do Marfim, no Mundial da África do Sul) parei por um mês e meio. Deu para descansar e recarregar as baterias.     Um dos motivos que o fizeram retornar ao Brasil, talvez o principal deles, era a chance de ficar mais perto da Seleção Brasileira. Depois da Copa, você não foi mais chamado. No último amistoso, contra a Escócia, o técnico Mano Menezes o convocou e como titular. E agora?

Agora é trabalhar para permanecer. Realmente, essa era a minha principal meta e eu fiquei muito feliz por ter sido chamado logo. Estou bem focado no meu trabalho no Santos, pois sei que é isso que vai me garantir na Seleção. Teremos a Copa América e eu espero estar na lista final.

O fato de atuar no Santos ao lado de dois jogadores que são nomes considerados certos na Copa América - Ganso e Neymar - pode facilitar?

Acho que é importante. Podemos levar nosso entrosamento natural dentro do nosso trabalho aqui no clube. Trabalhei com Diego, Robinho, Alex e Renato (jogadores da geração santista campeã brasileira em 2002) no clube e na Seleção. Espero que se repita. Seria importante para todos nós.

Você ainda tem ambição de voltar a jogar na Europa?

Tenho sonho de jogar num grande time de lá. Algo que nunca consegui. Se isso acontecer, ficaria feliz. Mas não é o meu objetivo no momento. Meu foco é o Santos e a Seleção Brasileira. Além disso, não tem nada: proposta, sondagem, convite. E nem estou mexendo com isso. Agora, eu estou disputando títulos, voltando à Seleção. Por isso, pode ser que apareça alguma coisa. Mas é algo para o futuro. Agora, não.

Nívea Stelmann, namorada de Elano (Foto: Raphael Mesquita / Divulgação)

  Vamos mudar um pouco de assunto e falar sobre sua vida pessoal. Você está de namorada nova (a atriz Nívea Stelmann). Vocês já foram fotografados juntos, já assumiram o namoro. Tem algum problema para falar sobre isso?

Tenho uma namorada. Todos sabem e a conhecem. Ela é bonita. O que mais posso dizer? Não escondo. Estamos iniciando uma relação bem legal.

Ela tem te acompanhado nos jogos?

Sempre que pode, sim. Ela também tem seus compromissos, mas quando dá tempo, ela vai aos jogos e torce por mim.

E como você superou a separação (ele se divorciou de Alexandra, sua primeira namorada e mãe de suas duas filhas, Maria Clara e Maria Tereza)?

Separação nunca é bom, ainda mais quando há crianças envolvidas. Mas sou um pai apaixonado e estou a todo momento com elas. Isso é o mais importante. Não as abandono por nada nesse mundo.

Como elas reagiram?

Nós procuramos conversar bastante com elas, explicar passo a passo, pois são crianças. O mais importante é ser bastate claro. Infelizmente, por diversas razões, temos de tomar certas decisões. O importante é seguir a vida.      

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