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Torcida organizada do Palmeiras diz que foi vítima de emboscada

Torcida organizada diz que foi vítima de emboscada

Atualizado: Terça-feira, 27 Março de 2012 as 9:31

Em nota publicada em seu site na noite desta segunda-feira (26), a torcida organizada Mancha Alviverde afirmou ter sido vítima de emboscada e que vem sendo caluniada após a morte de um palmeirense durante uma briga de torcidas no domingo (25), na Zona Norte de São Paulo. A Mancha foi proibida pela Federação Paulista de Futebol (FPF) de entrar nos estádios até que sejam apurados os responsáveis pela confusão.

A torcida organizada Gaviões da Fiel, também proibida pela FPF de entrar nos estádios, ainda não se manifestou sobre o caso, e informou que não foi oficialmente comunicada sobre a proibição.

Segundo a federação, a decisão de proibir as duas organizadas de entrar nos estádios vale até que os responsáveis sejam punidos.

Na nota publicada em seu site, a Mancha Alviverde afirma que foram dois o número de torcedores mortos. Entretanto, a polícia e os hospitais para onde foram encaminhados os feridos só confirmavam a morte de um torcedor até o final da noite desta segunda-feira.

A delegada Margarette Barreto, da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), pediu nesta tarde a proibição para a FPF.  Cerca de 300 torcedores das organizadas se envolveram na confusão. A polícia apura se o confronto foi organizado pela internet.

A briga ocorreu horas antes do jogo entre os clubes pelo Campeonato Paulista. Na briga, o estudante André Alves Lezo, de 21 anos, levou um tiro na cabeça. Ele morreu horas mais tarde no hospital e foi enterrado na tarde desta segunda.

Em nota, a federação diz que, "considerando que é dever da entidade preservar a disciplina nos campos de futebol, resolve proibir a entrada nos estádios, até que sejam apurados os fatos e os responsáveis punidos nos termos da legislação em vigor (Estatuto do Torcedor)". De acordo com a FPF, qualquer adereço que identifique a torcida organizada será proibido - camiseta, adereços e faixas - e a determinação será válida para todas as competições disputadas no estado de São Paulo.

Segundo a Margarette Barreto, o pedido de restrição de acesso aos estádios das duas torcidas foi feito apenas à FPF e ainda não foi analisado pela Justiça. Vinte e sete torcedores já estavam impedidos de entrar nos estádios. As sanções aplicadas pela federação, no entanto, são apenas administrativas.

Contra proibição

O gerente de futebol do Palmeiras, César Sampaio, esteve no enterro do jovem e disse nesta que a proibição da entrada de torcidas organizadas nos estádios paulistas pode não inibir a violência entre os adeptos. 

“Os torcedores sendo proibidos de ir ao estádio pode até inibir [a violência], mas isso não inibe que eles se encontrem. Esse problema não foi no estádio, foi antes do jogo”, disse Sampaio.

Irmão detido

Um dos irmãos do estudante Andre Alves Lezo foi detido por suspeita de participar do confronto entre palmeirenses e corintianos na Zona Norte de São Paulo. O jovem Tiago Alves Lezo chegou a ser levado para delegacia e liberado após ser citado no boletim de ocorrência sobre o caso.

Ao todo, foram registrados três boletins de ocorrência no 72º Distrito Policial em decorrência da briga na Avenida Inajar de Souza. A Polícia Civil listou sete pessoas como suspeitas de agressão e outras sete como vítimas. Tiago Alves Lezo e outro jovem foram detidos em uma moto por suspeita de porte de arma.

Como a arma não foi encontrada, eles foram submetidos a exame para verificar resíduos de pólvora nas mãos. Em outro boletim complementar dos dois anteriores, o pai de Andre Lezo, que é policial militar, aparece como declarante que seu filho morreu.

Além de Tiago, outro irmão do jovem assassinado já havia se envolvido em brigas entre torcidas. Segundo a FPF, Lucas Alves Lezo, vice-presidente da Mancha Alviverde, participou de um confronto com integrantes de uma torcida organizada do Corinthians no dia 5 de fevereiro e, por isso, foi proibido de ingressar em estádios.

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