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'A gente ouvia tiros, bombardeios', conta brasileira sobre a Líbia

'A gente ouvia tiros, bombardeios', conta brasileira sobre a Líbia

Atualizado: Segunda-feira, 28 Fevereiro de 2011 as 10:21

 No porto grego, ainda escuro e frio, os diplomatas do Brasil em Atenas chegam para receber . As notícias confirmam que o navio chega sem atraso, com todos a bordo passando. O grupo de 148 brasileiros que chegou à Grécia neste domingo (27), em navio vindo da Líbia, deve estar de volta ao Brasil nesta segunda (28). Eles desembarcam no Recife (PE), e de lá, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, seguem viagem para suas cidades.

Para o embaixador Oto Maia, a missão foi bem sucedida. Fretado pela empreiteira Queiroz Galvão, o Nissos Rodos navegou durante 22 horas, deixando para trás uma guerra civil prestes a explodir.     Entre os 400 passageiros, além dos brasileiros, estão portugueses, filipinos, um espanhol, um tunisiano e alguns irlandeses. Os últimos procedimentos para o desembarque são feitos dentro do navio. Quase todos viajam sem passaportes, porque os documentos ficaram retidos em Trípoli.

Brasileiros, como Leonel Oliveira, estão eufóricos. “Realmente estando aqui, estamos seguros”, diz ao chegar à Grécia. Há poucos dias, o engenheiro carioca foi ao quartel tomado pelos revolucionários em Benghazi, onde Muammar Kadhafi se hospedava quando ia à segunda cidade da Líbia. E conheceu um ferido da revolução.     Ao todo, 25 mulheres e 14 crianças estão no navio e contam não o que viram, mas o que ouviam de dentro de casa. “A gente ouvia tiros, bombardeios, nas nossas casas todo mundo fica escondido”, diz a dona de casa Debora Koepel.

“Foi horrível, nós, as famílias brasileiras, morávamos todos na rua do bem, perto de onde as coisas aconteciam, e nós ouvíamos os tiros sem parar por quatro ou cinco horas.”

Caroline Mohamed, convertida à religião muçulmana, seis filhos, morava há 20 anos na Líbia. Ela lembra que um dos motivos da revolta foi a prisão do único advogado que ousou defender as famílias dos 1,2 mil prisioneiros assassinados pelo regime de Kadhafi que fizeram uma greve de fome 15 anos atrás.

A filha Imã trouxe vídeos que os amigos gravaram nas ruas de Benghazi. De fogo, fúria, de ataque a população, de mortos. Imagens mostram atrocidades, de corpos aos pedaços, vítimas das armas do ditador líbio, e que ainda podem se repetir no país de seis milhões de habitantes.

Há também cenas da festa de Benghazi com a nova bandeira, agora distantes desses brasileiros que nesta segunda-feira (28) de Atenas pegam um avião de volta para casa.    

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