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Acusado de crimes de guerra na Sérvia pode ser extraditado, diz corte

Acusado de crimes de guerra na Sérvia pode ser extraditado, diz corte

Atualizado: Sexta-feira, 27 Maio de 2011 as 11:30

  O general sérvio Ratko Mladic está apto a ser extraditado para ser julgado pelo Tribunal de Haia, na Holanda, decidiu nesta sexta-feira (27) o Tribunal de Crimes de Guerra da Sérvia .

Ele tem até segunda-feira para recorrer da extradição.

Mladic foi examinado por uma junta médica que determinou que ele está "apto para outros procedimentos". Na véspera, uma audiência teve de ser interrompida por conta do estado de saúde do militar.

Mladic, de 698 anos, foi preso na madrugada desta quinta. Considerado o homem mais procurado da Europa, ele atuou como chefe do Exército da Sérvia durante a Guerra da Bósnia.

O general Ratk o Mladic chega a tribunal em Belgrado nesta sexta-feira (26), horas após sua prisão sob acusação de crimes de guerra (Foto: Reuters)  

Ele foi levado ao Tribunal Especial de Crimes de Guerra de Belgrado como parte do processo de extradição para o Tribunal da ONU em Haia.

Uma autoridade com conhecimento da audiência disse que Mladic aparentava estar desorientado e cansado na quinta-feira.

'Uma de suas mãos está quase paralisada, talvez por conta de um derrame anterior. Ele foi examinado por um médico e o seu advogado lhe deu remédio', disse a autoridade sob a condição de anonimato.

Prisão

"Detivemos Ratko Mladic hoje [quinta-feira] de manhã. O processo de extradição está em curso", afirmou o presidente Boris Tadic, aludindo à transferência do ex-comandante para ser julgado pelo tribunal de Haia. Até a prisão desta quinta, Mladic era o principal acusado de crimes de guerra foragido desde o conflito dos Bálcãs, nos anos 1990.

O general Ratko Mladic fotografado próximo a bandeira da ONU em 17 de maio de 1993 (Foto: Jerome Delay / AP) Segundo o presidente, Mladic foi preso na Sérvia. "Isto remove um fardo pesado da Sérvia e fecha uma página infeliz da nossa história", disse.     O TPI indiciou Mladic por crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio, devido a seu papel na guerra da Bósnia (1992-95) e especialmente na matança de Srebrenica, em 1995, quando cerca de oito mil muçulmanos foram executados.

O ex-militar foi preso na madrugada de quinta-feira em Lazarevo, um povoado no noroeste da Sérvia.

Ele foi encontrado na casa de um primo. A operação foi resultado de um trabalho conjunto dos serviços de segurança sérvios (BIA) e de uma equipe encarregada especialmente de localizá-lo, informou o jornal local Blic.

"Ele se identificou imediatamente e não ofereceu resistência à prisão", contou uma fonte citada pelo periódico.

"Ele estava ao lado de seus primos no momento em que chegamos à casa. Nenhum de seus homens estava com ele", explicou o militar, que participou da operação.

A imagem mostra um homem envelhecido e fraco, com os cabelos grisalhos aparecendo sob um boné de beisebol, olhando para cima.

A foto publicada pelos jornais Blic e Politika é a primeira divulgada desde o final da guerra, em 1995, quando ele fugiu e se escondeu da Justiça.

De acordo com um vizinho, Mladic estava de pijama no momento da voz de prisão. A testemunha contou ao jornal ter ajudado o ex-militar a se vestir.

O ministro do Interior, Ivica Dacic, afirmou na noite de quinta-feira à RTS que Ratko Mladic não apresentou identidade falsa e que trazia documentos com seu nome.

  A imprensa sérvia, no entanto, divulgou que o acusado se utilizara do pseudônimo Milorad Komadic. Os jornalistas não souberam dizer quanto tempo Mladic passou escondido no povoado de Lazarevo. O ex-militar estava foragido da Justiça internacional há 16 anos.

A prisão de Mladic gerou protestos de centenas de ultranacionalistas nas cidades de Belgrado e Novi Sad, deixando feridos em confrontos com a polícia. De maneira geral, entretanto, as manifestações foram inexpressivas.

A captura do ex-chefe político dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, em julho de 2008 em Belgrado, causou importantes distúrbios na capital sérvia.          

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