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Adesão da Venezuela ao Mercosul é chance histórica, diz secretário

Adesão da Venezuela ao Mercosul é chance histórica, diz secretário

Atualizado: Sexta-feira, 10 Julho de 2009 as 12

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, afirmou ontem, 9 de julho, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado que a possível adesão da Venezuela ao Mercosul é uma "oportunidade histórica de consolidar o processo de integração da América do Sul."

Guimarães lembrou ainda que há um ambiente de grande cordialidade na relação entre os presidentes brasileiro - Lula - e o chefe de governo do país vizinho - Hugo Chávez. O diplomata também minimizou a inflação na Venezuela como um impeditivo para o ingresso do país no bloco. "Se tomarmos o Mercosul como uma união aduaneira, e é isso o que ele é, o fator inflacionário não tem importância", disse.

Já o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, que também participou da audiência, defendeu a necessidade de mais tempo para avaliar a possível adesão venezuelana, segundo ele, dada a uma incapacidade momentânea do país vizinho em cumprir pré-requisitos para a entrada no bloco.

O tema também divide os parlamentares, que expressaram suas posições ao longo do debate. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse que "não gostaria de ver um palanque antimericano estudantil" no bloco comercial. Para Virgílio, o comportamento político do presidente venezuelano, Hugo Chávez, é marcado por "bizarrices políticas" e faz com que uma maior parceria com o vizinho não seja fundamental para o Brasil. "Não consigo pensar em aliança melhor para o Brasil do que a que passa pelo eixo dos Estados Unidos e Europa", afirmou.

Os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) ressaltaram não ter pré-disposição definitiva para rejeitar o ingresso venezuelano no Mercosul, mas sim a preocupação em saber se este é o momento mais propício para a concretização da medida.

Collor lembrou que somente no último ano o governo venezuelano desapropriou mais de 150 empresas ou propriedades e já expressou a discordância em mais de 100 normas que regem o Cone Sul. "Não se pode separar o chefe de Estado da nação que está sob o seu comando. A nenhum país é dado o direito de ingressar no Mercosul sem que ele se disponha a cumprir pré-requisitos. Não pode entrar pela janela", disse Collor.

Em outra linha de argumentação, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF) acreditam que a adesão da Venezuela ao bloco vai colaborar para a democratização do país vizinho. "Já estou pronto e convicto para votar favoravelmente", avisou Suplicy. " Não podemos confundir Chávez com Venezuela. Ele é passageiro", acrescentou Buarque.

Convidado para a audiência, o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia Motoya, não compareceu e justificou a ausência por meio de carta, na qual cita os senadores brasileiros de "limitarem a discussão e a análise do tema ao jogo de interesses de particularíssima condição política".

Após as reclamações de senadores, que consideraram ofensivas e desrespeitosas as palavras do embaixador venezuelano, a Comissão decidiu hoje devolver a carta ao embaixador, por meio do Itamaraty.

Esta foi a última audiência realizada pela comissão para debater o assunto. Não há, ainda,  uma data prevista para que o Senado vote a adesão venezuelana ao Mercosul.

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