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Afeganistão deve controlar segurança com tropas próprias até 2014, diz Karzai

Afeganistão deve controlar segurança com tropas próprias até 2014, diz Karzai

Atualizado: Terça-feira, 20 Julho de 2010 as 9:28

Em meio à conferência internacional que busca soluções para a atual situação do Afeganistão, o presidente afegão Hamid Karzai reafirmou que seu país deve controlar sua segurança interna com tropas próprias em até quatro anos, o que para analistas ocidentais é um objetivo muito ambicioso.

Esta deve ser a principal conclusão da conferência internacional que se realiza nesta terça-feira em Cabul. Após reuniões com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o líder fez uma avaliação otimista e disse acreditar que há condições suficientes para que as tropas internacionais transfiram o poder para as forças de segurança afegãs em até quatro anos.

"Eu sigo determinado que nossas forças de segurança nacionais serão responsáveis por todas as operações militares e legais dentro do nosso país até 2014. Não se trata somente de equipamentos e coisas técnicas. É também uma cultura de que um exército nacional tem que deter a ordem para controlar e defender uma nação", disse Karzai.

A manobra preassume que as operações das forças dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) sejam bem sucedidas até o prazo, algo que parece improvável em vista dos atuais acontecimentos no país.

Uma indicação dos riscos que o Afeganistão enfrenta foi apresentada durante a própria reunião em que Karzai falava.

O avião que trazia o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) Ban Ki-moon e o chanceler da Suécia, Carl Bildt, teve que ser redirecionado do aeroporto de Cabul para a base militar da Otan em Bagram após o Taleban ter realizado atentado com foguetes na pista de pouso do aeroporto e áreas diplomáticas em torno, sem deixar vítimas.

"Foguetes atingiram o aeroporto exatamente quando iríamos aterrissar", disse o chanceler. O ataque ocorreu mesmo em meio a um forte esquema de segurança montado para a conferência que atrai ao menos 60 ministros de vários países.

Apesar das claras dificuldades e desafios ainda presentes no país, o comunicado final da conferência determinou que o governo afegão receberá mais responsabilidades e maior poder sobre os assuntos internos -- incluindo segurança -- em troca de garantias de que os padrões de transparência serão atingidos.

"As Forças Afegãs de Segurança Nacional (ANSF, na sigla em inglês), devem liderar e conduzir operações militares em todas as Províncias até o fim de 2014", concluiu o comunicado emitido após as reuniões de segunda-feira (19), que prepararam as discussões da conferência.

TRANSIÇÃO

A devolução de poder das forças internacionais ao governo afegão deve ser um processo de transição gradual. Nisso todos concordam, incluindo a cúpula da Otan, o comando militar e político dos EUA e o próprio presidente Hamid Karzai. O prazo para que isso aconteça e as condições necessárias, no entanto, permanecem alvo de dúvidas.

"Nossa missão vai terminar quando -- e somente quando -- os afegãos puderem manter a segurança com suas próprias mãos", disse o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen.

Para os EUA o prazo de retirada das tropas deve ser julho de 2011, daqui a menos de um ano, o que para Hillary Clinton "captura tanto o senso de urgência quanto a força do nosso empenho. O processo de transição é importante demais para ocorrer em prazo indeterminado", disse.

"Não há atalhos para lutar contra a corrupção e melhorar a governança. Nesse front, tanto o povo afegão quanto os membros da comunidade internacional esperam resultados", disse Clinton.

CONFIANÇA

O comunicado final das reuniões preparatórias afirmou ainda a disposição dos países ocidentais de canalizar ao menos 50% da ajuda internacional enviada ao país pelo próprio governo afegão dentro de dois anos.

A decisão aumenta dos atuais 20% para 50% o montante de recursos internacionais que o governo afegão pode controlar e administrar.

O chanceler britânico, William Hague, disse que o Afeganistão está indo na direção certa. "Tanto o Exército quanto a polícia estão bem direcionados para atingir seus objetivos de 2011. A transição para uma responsabilidade total de segurança afegã deve ser gradual e determinada pela capacidade afegã, mas deveria começar logo", afirmou.

Para o premiê do Reino Unido -- segundo país com mais tropas em solo afegão após os EUA --, retirar as tropas ocidentais do Afeganistão até 2014 é algo totalmente possível. "Eu acho que é realista. Estamos treinando o Exército afegão mês a mês e tudo está dentro do prazo", indicou.

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