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Agência cultural da ONU aceita palestinos como membros plenos

Agência cultural da ONU aceita palestinos como membros plenos

Atualizado: Segunda-feira, 31 Outubro de 2011 as 2:25

A agência cultural da Organização das Nações Unidas, a Unesco, concedeu nesta segunda-feira (31) o status de membro total aos palestinos no órgão, em uma votação que pode impulsionar a tentativa da nação de ser reconhecida como Estado perante a ONU.

A Unesco é a primeira agência da ONU em que os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, entrou com o pedido de uma cadeira na ONU, em 23 de setembro. A adesão foi aprovada por 107 votos a favor, 52 abstenções e 14 contra.

EUA, Canadá e Alemanha votaram contra. Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e França, entre outros, votaram a favor. O Reino Unido se absteve.

O governo brasileiro, em nota do Itamaraty, parabenizou os palestinos.

Os Estados Unidos já haviam dito que vetariam a reivindicação palestina na ONU e também de outros órgãos da ONU.

Quarenta representantes do conselho de 58 membros votaram a favor de colocar a questão em votação no início do mês, com quatro deles - EUA, Alemanha, Romênia e Letônia - votando contra e 14 se abstendo.

O ministro do Exterior palestino, Riyad al-Malki (centro), é visto entre o secretário da

 Organização de Cooperação Islâmica, Ekmeleddin Ihsanoglu (esq.), e o embaixador

palestino na Unesco, Elias Sanbar (dir.), na sede da Unesco em

Paris nesta segunda (31) (Foto: Reuters)   Pressão contrária

Uma admissão é vista pelos palestinos como uma vitória moral na tentativa de obter a condição de membro pleno da ONU, mas tem um custo para a Unesco.

Dentro da lei norte-americana, a admissão dos palestinos como membro pleno da Unesco levaria a um corte no financiamento proveniente dos Estados Unidos, cuja contribuição representa 22% da verba total da agência.

Washington se opõe ao pedido palestino de uma cadeira na ONU sob o argumento de que isso não ajudaria nos esforços de reviver as negociações de paz com Israel , que sofreram colapso no ano passado.

Israel critica

A admissão palestina afasta as perspectivas de um acordo de paz, afirmou nesta segunda o governo israelense, ao condenar "a manobra unilateral" palestina.

"Israel rejeita a decisão da Assembleia Geral da Unesco (...) aceitando a Palestina como Estado membro da organização", afirma um comunicado do ministério das Relações Exteriores, ao estimar que "se trata de uma manobra palestina unilateral que não mudará nada no terreno, mas que afasta a possibilidade de um acordo de paz".

Os países que, como a França, apoiaram o pedido verão sua influência sobre Israel enfraquecer, afirmou nesta segunda-feira o embaixador israelense, Nimrod Barkan.

"Isto vai enfraquecer a capacidade deles de influenciar na posição de Israel", principalmente em relação ao processo de paz, disse à AFP.

Os países que votaram sim "adotaram uma versão de ficção científica da realidade ao admitirem um Estado que não existe nesta organização encarregada da ciência... A Unesco deve se preocupar com a ciência e não com a ficção científica", acrescentou.

Plenário da Unesco após a votação da adesão palestina nesta segunda (31) (Foto: AP)        

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