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AIEA recebe carta do governo do Irã em resposta a acordo com Brasil e Turquia

AIEA recebe carta do governo do Irã em resposta a acordo com Brasil e Turquia

Atualizado: Segunda-feira, 26 Julho de 2010 as 5:12

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou nesta segunda-feira que recebeu a resposta de Teerã aos questionamentos do Grupo de Viena (Estados Unidos, Rússia e França) sobre a proposta de troca de combustível nuclear feita pelo Brasil, Turquia e a República Islâmica.

"O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Yuyika Amano, recebeu hoje [segunda-feira] uma carta do governo iraniano sobre o fornecimento de combustível nuclear para o reator de pesquisa de Teerã", indicou Gill Tudor, porta-voz do organismo ligado à ONU (Organização das Nações Unidas).

"A carta foi transmitida aos governos francês, russo e americano, assim como aos governos brasileiro e turco", acrescentou.

Pouco antes, a agência iraniana Fars havia anunciado a entrega pelo representante iraniano ante o organismo, Ali Asghar Soltanie. Segundo a Fars, a carta foi assinada pelo chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi. A AIEA não comunicou os detalhes.

O Grupo de Viena levantou uma série de questionamentos sobre a proposta de troca de combustível nuclear feita pelo Brasil, Turquia e Irã, chamada de Declaração de Teerã.

O representante iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, também confirmou que seu governo enviou a carta com detalhes sobre o acordo tripartite (Irã-Brasil-Turquia) e anunciou sua disposição de dialogar sobre a troca de combustível nuclear.

Segundo a agência iraniana "Fars", Soltanieh diz que o Irã entregou sua resposta em carta ao diretor da AIEA, Yukia Amano.

A confirmação de que a carta seria enviada à AIEA ocorreu durante um encontro entre os ministros das Relações Exteriores iraniano, Manuchehr Mottaki, brasileiro, Celso Amorim, e turco em Istambul na semana passada.

"Mottaki nos disse que enviará uma carta na segunda-feira de manhã [a Yukiya Amano, diretor geral da AIEA]", declarou Davutoglu durante uma entrevista coletiva à imprensa após o encontro tripartite.

MENSAGEM

Soltanieh declarou que a carta "tem como principal mensagem a disposição total do Irã para seguir com as negociações sobre a troca de combustível nuclear para abastecer o reator científico de Teerã".

"O diretor da AIEA afirmou que refletiria imediatamente sobre o conteúdo da carta para EUA, França e Rússia", acrescentou Soltanieh.

O Grupo de Viena rejeitou o acordo fechado por Irã, Brasil e Turquia em maio segundo o qual os iranianos enviariam 1.200 quilos de urânio à Turquia para receber em até um ano 120 quilos de combustível nuclear entregues pelo grupo.

O acordo foi recusado em junho pelo Grupo de Viena sob a alegação de que as reservas de urânio enriquecido no Irã já passam dos 1.200 quilos.

SANÇÕES

O recebimento da carta pela AIEA ocorre no mesmo dia em que os chanceleres da União Europeia (UE) aprovaram um novo pacote de sanções ao Irã, alegando como causa a falta de transparência sobre o programa nuclear iraniano.

Para Catherine Ashton, chefe de diplomacia do bloco, somadas às medidas já aprovadas no mês passado, as novas punições formam agora um "conjunto de sanções completo" contra Teerã.

As novas medidas vão mais longe que as adotadas em junho pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o Irã por sua negativa de suspender suas atividades de enriquecimento de urânio, que o Ocidente vê como prelúdio para a fabricação da bomba atômica. Teerã nega as acusações e sustenta que as atividades são pacíficas.

"Será o pacote de sanções mais importante que a UE adotou contra o Irã ou qualquer outro país", destacou um diplomata europeu no fim de semana, antes do início da reunião.

Em particular, o bloco sediado em Bruxelas decidiu proibir qualquer investimento europeu, assistência técnica ou transferência tecnológica no setor do gás e do petróleo.

Apesar de o Irã ser o quarto produtor mundial de petróleo, até 40% de sua gasolina é importada porque o país carece de capacidade de refino para satisfazer sua demanda interna.

OBJETIVOS

A adoção das novas medidas deve pressionar o regime de Teerã, argumentou o chanceler britânico. "Isso aumenta a pressão sobre o Irã para ingressar nas negociações sobre seu programa nuclear inteiro", disse a jornalistas o chanceler do Reino Unido, William Hague, ao chegar para a reunião em Bruxelas.

"Espero que o Irã entenda por essa mensagem que as nações europeias estão abertas a negociações sobre seu programa nuclear, mas se eles não responderem, intensificaremos a pressão", acrescentou.

O secretário de Estado para Assuntos Exteriores alemão, Wermer Hoyer, sustentou hoje a sua chegada ao encontro da UE que o objetivo é "voltar a sentar com o Irã na mesa de negociações".

"O Irã tem direito de utilizar a energia atômica para propósitos civis", disse, "mas também tem a obrigação de manter uma total transparência já que o rearmamento nuclear não pode ser aceito".

REFLEXOS NA EUROPA

As novas punições não afetarão somente o Irã. Diversas empresas europeias deverão ser atingidas, manifestando desta maneira a disposição do bloco em suportar sacrifícios em sua própria economia para isolar a República Islâmica e forçar o governo do Irã a cumprir acordos internacionais sobre energia atômica.

"Vários Estados-membros tiveram que superar problemas consideráveis, devido a seus interesses econômicos para aprovar o pacote" de sanções, destacou um diplomata.

A UE também tem a intenção de restringir as possibilidades de intercâmbios comerciais com o Irã, limitando os créditos à exportação, de ampliar a proibição da atividade dos bancos iranianos e de acrescentar quarenta nomes à lista de pessoas às quais não serão outorgados vistos europeus.

REAÇÃO DO IRÃ

Ainda no domingo o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad disse que Teerã reagirá "com firmeza" a qualquer ato hostil.

"Os europeus querem impor novas sanções além das adotadas pelas Nações Unidas [no dia 9 de junho]. Queria dizer que não recebemos favoravelmente uma tensão ou nova resolução, queremos relações lógicas e amistosas", declarou Ahmadinejad, de acordo com a televisão iraniana em inglês Press-TV.

"Devo dizer que qualquer um que adotar medidas contra a nação iraniana, como a inspeção de navios iranianos [em alto-mar] tem que saber que o Irã reagirá com firmeza a tais atos", acrescentou.

"Todo aquele que participar do roteiro dos Estados Unidos (contra o Irã) será considerado um país hostil (...). O Irã dará uma resposta firme a qualquer ameaça", insistiu.

COMUNIDADE INTERNACIONAL

Estados Unidos e Austrália já tomaram medidas de magnitude similar e o Canadá seguirá seu exemplo. Até mesmo a Rússia, que durante muito tempo esteve mais perto do Irã que dos países ocidentais, acaba de manifestar sua preocupação com o fato de que o Irã esteja agora "perto de ter potencial para equipar-se com a arma nuclear".

Desta forma, a Europa e os países ocidentais esperam convencer o Irã a voltar com eles à mesa de negociações para que aceite delimitar seu programa nuclear.

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