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Ano de 2010 foi o mais sangrento da guerra no Afeganistão, diz ONU

Ano de 2010 foi o mais sangrento da guerra no Afeganistão, diz ONU

Atualizado: Quarta-feira, 9 Março de 2011 as 3:40

Um relatório divulgado pela ONU nesta quarta-feira (9) mostra que o ano de 2010 foi o mais sangrento no Afeganistão desde o início da guerra no país, em 2001, com um grande aumento no número de civis mortos pelo segundo ano consecutivo. De acordo com o levantamento, 2.777 pessoas morreram no país no ano passado - um aumento de 15% em relação a 2009.

Somente as mortes de crianças aumentaram em 21%, enquanto que os assassinatos dobraram, chegando a 462. A ONU afirma que 75% das mortes de civis ocorreram por ações do movimento Talebã e de outros grupos insurgentes. O Talibã contesta os números da ONU, acusando o estudo de ser parcial.

'De onde eles tiram esses números? Que fontes eles têm? As forças estrangeiras são responsáveis por mortes de civis quando realizam bombardeios e disparos', disse à BBC Qari Yusuf Ahmadi, porta-voz do movimento. Já o número de vítimas civis das forças afegãs e da Otan que atuam no Afeganistão caiu 26%, representando 16% do total de mortos, segundo o relatório.

No entanto, segundo o repórter da BBC em Cabul Quentin Sommerville, a morte de nove meninos em um bombardeiro americano, ocorrida no último dia 1º, mostra que as vítimas das forças estrangeiras causam mais revolta no país do que as do Talibã. O general americano David Petraeus, comandante das forças da Otan no Afeganistão, pediu desculpas pelo caso, que foi considerado um acidente.

Já o presidente afegão, Hamid Karzai, disse que a ação foi 'impiedosa' e que as forças estrangeiras no país teriam 'enormes problemas' se a 'matança diária de civis inocentes' não acabasse.

Tendência 'alarmante'

De acordo com o relatório da ONU, a tendência mais 'alarmante' no Afeganistão são as mortes de autoridades do governo, de integrantes de equipes de ajuda humanitária e civis considerados aliados da administração afegã, que aumentaram 105% em 2010.

Correspondentes afirmam que esta tática pretende arruinar os planos da Otan de entregar o controle da segurança do Afeganistão ao exército, à polícia e ao governo do país, o que deve começar ainda este ano.

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