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Após bombas destinadas aos EUA, Iêmen promete endurecer segurança

Após bombas destinadas aos EUA, Iêmen promete endurecer segurança

Atualizado: Segunda-feira, 1 Novembro de 2010 as 9:15

O governo do Iêmen decretou a aplicação de medidas excepcionais para as operações de revista de todas as cargas que partem do país, após a descoberta de dois pacotes com explosivos destinados aos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (1º) a agência oficial Saba.

Segundo a agência, a Comissão Nacional de Segurança da Aviação Civil decidiu "aplicar medidas de revista excepcionais de todas as cargas que saem dos aeroportos iemenitas".

O objetivo da decisão é "enfrentar o desenvolvimento dos procedimentos das organizações terroristas", completa o comunicado oficial.

Dois pacotes com explosivos procedentes do Iêmen e destinados a sinagogas da cidade de Chicago (EUA) foram interceptados na sexta-feira em aeroportos de Dubai e da Grã-Bretanha.   Suspeito de fazer a bomba

O mesmo indivíduo confeccionou os artefatos explosivos interceptados na sexta e a bomba para o ataque frustrado do Natal de 2009 no voo Amsterdã-Detroit, informou no domingo o conselheiro do presidente Barack Obama para antiterrorismo, John Brennan.

"Acredito que até o momento as análises forenses indicam que o indivíduo responsável por armar estes artefatos é o mesmo", disse John Brennan em entrevista ao programa "This Week" do canal ABC.

O jornal "Washington Post" afirma que os investigadores centram as atenções no especialista em explosivos saudita Ibrahim Hassan al-Asiri, de 28 anos.

O jovem, que mora no Iêmen, está na lista de homens mais procurados da Arábia Saudita e apontado como a pessoa que concebeu e fabricou a bomba de pentrita colocada na roupa de Farouk Abdulmutallab, o jovem nigeriano que tentou detonar o explosivo em um avião comercial que viajava de Amsterdã (Holanda) para Detroit (Michigan, norte dos EUA) em dezembro de 2009.

Brennan também afirmou domingo que não há indicação de que existam outros artefatos explosivos em circulação.

"Atualmente não temos nenhuma indicação que existam outros em circulação", declarou ao programa "Meet the Press" do canal NBC.

O conselheiro acrescentou, no entanto, que o governo adotou as medidas necessárias para o caso de detecção de mais explosivos.

O presidente do Iêmen, Ali Abdalla Saleh, disse no sábado que o país está decidido a lutar contra o terrorismo. Mas com seus próprios meios, sem a interferência dentro de assuntos internos.

O anúncio foi realizado horas depois de a polícia iemenita prender uma mulher suspeita de ter enviado aos Estados Unidos dois pacotes com material explosivo . Ela foi solta após as autoridades terem concluído que outra pessoa usou sua identidade para mandar os explosivos.

Na sexta-feira (29),  foram localizados e desativados dois pacotes-bomba em aviões de carga, um no aeroporto britânico de East Midlands , a bordo de um avião da empresa UPS, e o segundo em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos , em um contêiner da companhia FedEx, a bordo de outro avião.

O destino delas seriam duas sinagogas de Chicago, nos Estados Unidos. Tanto autoridades dos Estados Unidos como dos Emirados Árabes apontaram que o braço iemenita da al-Qaeda é quem está por trás do atentado fracassado.   O presidente dos EUA, Barack Obama, disse na sexta que havia, de fato, uma ameaça crível de ataques terroristas ao território americano. O político democrata afirmou  que o braço da rede terrorista da al-Qaeda naquela região continua planejando ataques contra os país. Ele também confirmou que os pacotes eram endereçados a organizações judaicas com sede nos EUA.

Mais cedo, antes da declaração de Abdalla Saleh, o conselheiro antiterrorismo de Obama disse ao presidente iemenita que os Estados Unidos "estariam prontos" para ajudar seu governo no combate à al-Qaeda .

"O Iêmen reitera seu compromisso com a comunidade internacional na luta contra o terrorismo", declarou Saleh à imprensa. "Mas não permitiremos que ninguém tenha ingerência em nossos assuntos internos, e combateremos o terrorismo com nossos próprios meios e com nossas próprias capacidades", destacou.    

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