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Após derrota, Sarkozy muda gabinete

Após derrota, Sarkozy muda gabinete

Atualizado: Terça-feira, 23 Março de 2010 as 12

A derrota avassaladora do partido de centro-direita União por um Movimento Popular (UMP) na eleição regional de domingo obrigou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a anunciar a reforma de seu governo, com a demissão e a transferência de vários ministros.

O premiê François Fillon, homem de confiança do Palácio do Eliseu, foi mantido no cargo, mas o ministro do Trabalho, Xavier Darcos, não resistiu. Com a reorganização, Sarkozy busca fôlego para as eleições de 2012, tentando controlar o crescimento do Partido Socialista (PS) e o renascimento da extrema direita.

O resultado do segundo turno das eleições foi divulgado ontem pelo Ministério do Interior. Com 54,3% dos votos, o PS saiu da votação como o grande vencedor, conquistando 23 das 26 regiões do país. Outro vencedor foi o partido ambientalista Europe Ecologie, agora estabelecido como a terceira força política da França, com 12,5% dos votos.

Classificado em segundo lugar, a UMP não obteve mais de 36,1% da preferência, o suficiente para vencer apenas em 3 regiões: Alsácia, Guiana Francesa e Reunião. Pior: todos os oito ministros que concorriam a cargos de presidentes regionais foram derrotados. A amplitude do revés foi interpretada de forma unânime pelo meio político, por acadêmicos e pela imprensa como uma censura a Sarkozy. "Os franceses exprimiram sua rejeição às políticas do presidente da república", afirmou Martine Aubry, secretária-geral do PS.

A saída encontrada pelo governo foi contrariar sua própria promessa. Há uma semana, Sarkozy e Fillon repetiam que a administração não sofreria alterações caso a derrota do primeiro turno se confirmasse também no segundo. O que se viu foi o contrário. O grande bode expiatório entre os imolados foi um dos líderes das reformas realizadas pelo governo, Xavier Darcos. Derrotado com apenas 28% dos votos de sua região, acabou despedido ontem. Eric Woerth, ministro do Orçamento, também deixou o posto, mas para assumir o comando do Ministério do Trabalho.

Para escolher os substitutos, Sarkozy agora teve de se voltar à ala do partido ligada ao ex-presidente Jacques Chirac. Um dos convidados foi o deputado Jacques Baroin, de 45 anos, considerado o "filho político" de Chirac, que assumiu o Ministério do Orçamento. Mesmo com o novo gabinete, Fillon promete manter o curso das reformas, entre as quais está o projeto que aumenta a idade-limite para a aposentadoria. "Não se governa um país como a França ao ritmo de eleições regionais, mas sim mantendo os objetivos fixados na eleição nacional", disse.

Presidenciais. A sanção a Sarkozy também serviu para abrir a disputa à presidência, marcada para 2012. No PS, Ségolène Royal voltou a ganhar força depois de vencer a eleição em sua região obtendo a melhor colocação entre todos os seus colegas de partido. A pré-candidatura de Martine Aubry também não pode ser desconsiderada, assim como a do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.

À direita, o ex-premiê e adversário de Sarkozy Dominique de Villepin deve anunciar na quinta-feira a criação de um novo partido, com o qual disputará a presidência. Na extrema direita, a Frente Nacional, agora liderada por Marine Le Pen, também renasceu, somando 8% dos votos. Sarkozy também terá de administrar uma onda de greves. O setor de transportes cruza os braços a partir de hoje contra as reformas propostas pelo governo.

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