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Após protestos, ministro de Relações Exteriores da Tunísia renuncia

Após protestos, ministro de Relações Exteriores da Tunísia renuncia

Atualizado: Quinta-feira, 27 Janeiro de 2011 as 4:10

O ministro de Relações Exteriores da Tunísia, Kamel Morjane, renunciou nesta quinta-feira (27) de seu posto no governo interino do país, segundo a TV estatal.

A renúncia ocorre após vários dias de protestos populares pedindo a saída de membros do antigo governo do presidente Zine al Abidine Ben Ali.

Morjane chegou a sair do partido RCD na semana passada, mais isso não foi o suficiente para acalmar os manifestantes.

As mudanças no gabinete devem continuar.     Ben Ali fugiu em 14 de janeiro para a Arábia Saudita, após semanas de protestos violentos contra a pobreza, a corrupção e o autoritarismo. Ele passou 23 anos no poder.

Desde então, um governo provisório que inclui muitos membros do antigo regime luta para impor a ordem.

Há vários dias os manifestantes exigem que a improvisada coalizão de governo expurgue membros da RCD, que governava a Tunísia desde a independência. Participantes de um protesto voltaram a entrar em confronto com a polícia na quarta-feira.

A rebelião tunisiana teve repercussões em todo o Norte da África e no Oriente Médio, onde muitas populações se queixam de condições semelhantes de pobreza e repressão.

Inspirados pelo exemplo tunisiano, milhares de egípcios vão às ruas desde terça-feira para pedir o fim dos 30 anos de regime do presidente Hosni Mubarak.

Além da reforma ministerial, o governo provisório da Tunísia planeja criar um conselho de 'sábios' para guiar o país na transição para a democracia.

O veterano político Ahmed Mestiri, figura proeminente durante a era de Habib Bourghiba, 'pai' da independência e primeiro presidente tunisiano, disse que pretende comandar essa nova instituição.

'O conselho iria proteger a revolta que estourou espontaneamente. Chegou a hora de o processo ser estruturado', disse Mestiri, de 80 anos, em entrevista na quarta-feira.

A Tunísia diz que solicitou um mandado internacional de prisão contra Ben Ali, sua mulher e outros familiares, acusados de desviar recursos e cometer outros crimes durante o regime dele.

'Estamos pedindo à Interpol que localize todos os que fugiram, inclusive o (ex-) presidente e essa mulher (esposa dele), para que sejam julgados na Tunísia', disse o ministro da Justiça, Lazhar Karoui Chebbi.

Apesar dos persistentes distúrbios, o governo provisório anunciou que iria reduzir em várias horas, a partir da noite de quarta-feira, o toque de recolher que vigora desde o início da revolta.    

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