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Após reconhecimento de rebeldes, Kadhafi ameaça romper com França

Após reconhecimento de rebeldes, Kadhafi ameaça romper com França

Atualizado: Quinta-feira, 10 Março de 2011 as 12:40

A Líbia planeja romper relações diplomáticas com a França, que reconheceu nesta quinta-feira (10) o opositor Conselho Nacional de Transição (CNT) como o único representante do povo líbio, informou a agência oficial de notícias JANA, citando uma fonte do ministério das Relações Exteriores líbio.

"Um Estado como a França não pode cometer esta estupidez e reconhecer pessoas que não se representam a si mesmas", afirmou a fonte. Segundo ela, o ministério vai "se inteirar das informações antes de tomar essa decisão".

A França tornou-se o primeiro país a reconhecer o Conselho Nacional de Transição, que reúne a oposição ao regime de Muamar Kadhafi, como o único representante legítimo do povo líbio.

A presidência francesa pretende enviar um embaixador para a cidade de Benghazi, no leste do país, controlada pelos rebeldes.

A oposição líbia comemorou a decisão da França e pediu à União Europeia (UE) que siga o exemplo de Paris, indicou à AFP um porta-voz.

A Líbia enfrenta há três semanas uma revolta interna contra o ditador que está há 42 anos no poder e se nega a deixar o governo.

A França é o primeiro país a reconhecer o legítimo poder da oposição. Ambos os lados estão fazendo lobby para ganhar apoio de países ocidentais, enquanto os líderes das potências debatem como proteger os rebeldes das forças de Kadhafi.

Reino Unido e França apoiaram as solicitações dos rebeldes para uma zona de exclusão aérea, mas a administração Obama expressou profundas reservas sobre o envolvimento no conflito.     Ameaça

Um "grave segredo" vai provocar a queda do presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quinta a JANA, agência oficial da Líbia, pouco depois de a França ter reconhecido o conselho oposicionista.

"Um grave segredo vai provocar a queda de Sarkozy, inclusive um processo relacionado ao financiamento de sua campanha eleitoral", destacou a agência JANA.

'Ataques seletivos'

Sarkozy deve sugerir na sexta-feira a seus aliados da União Europeia (UE) o planejamento de "ataques aéreos seletivos" na Líbia, além de uma intervenção nos sistemas de transmissão do ditador Kadhafi, segundo fontes próximas ao Eliseu.

Sarkozy proporia ataques aéreos em três pontos: o aeroporto militar de Sirte, 500 km a leste de Trípoli, o aeroporto de Sebha, no sul, perto da fronteira com o Chade, e Bab al Azizia, centro de comando de Muam mar Kadhafi em Trípoli.

Novos ataques

Tanques líbios abriram fogo nesta quinta contra posições rebeldes nos arredores do porto de Ras Lanuf, e aviões atacaram outro terminal petrolífero mais a leste, ampliando a contraofensiva realizada pelo.

No oeste, o Exército de Kadhafi procurou sufocar os rebeldes que ainda controlam algumas áreas de Zawiyah, cidade que mudou de mãos várias vezes durante violentas batalhas nesta semana.

Em Ras Lanuf, mais de 500 quilômetros a leste da capital Trípoli, as forças de Kadhafi voltaram a lançar mísseis nos arredores de um prédio pertencente à refinaria Lybian Emirates Oil.

Houve uma série de ataques aéreos, e os insurgentes lançaram foguetes na direção do mar, tentando atingir embarcações que bombardeavam as posições dos rebeldes.

Mais tarde, pelo menos dois tanques foram vistos avançando sobre posições dos rebeldes e abrindo fogo, nos arredores de Ras Lanuf.

Os rebeldes também disseram ter sofrido um ataque aéreo em Brega, outro porto petrolífero, 90 quilômetros a leste de Ras Lanuf. Isso indica que as forças governistas não só contiveram o avanço dos rebeldes para o oeste, como também estão fazendo incursões a focos da oposição no leste. Fazia vários dias que não havia ataques do governo contra os rebeldes em Brega.

Guerra civil

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse nesta quinta que a Líbia entrou em guerra civil com o aumento do número de civis feridos que chegam nos hospitais em cidades do leste. O presidente da instituição, Jakob Kellenberger, pediu que as autoridades líbias garantam o acesso de agências humanitárias às áreas ocidentais, incluindo a capital Trípoli, e lembrou a ambos os lados que civis e instalações médicas não são alvos.

"Temos agora um conflito armado não-internacional, ou o que vocês chamariam de guerra civil ", disse Kellenberger, em entrevista coletiva. "Nós vemos um crescente número de feridos que chegam aos hospitais, no leste, e estamos extremamente preocupados."

Transição?

Kadhafi concordaria em negociar a transição de poder, disse uma fonte diplomática ao jornal português 'Público' nesta quinta-feira (10), após o chanceler de Portugal, Luis Amado, ter recebido um emissário de Kadhafi em Lisboa.

A fonte disse ao 'Público' que a mensagem deve ser vista com cautela, uma vez que foi dada em resposta a uma proposta de Amado pelo fim das hostilidades contra os rebeldes e pelo início de uma transição de poder pacífica no país do norte da África. 'O emissário do líder líbio disse a Amado que Trípoli aceitaria 'começar um processo de negociação para a transição'', disse o 'Público'.     'É muito cedo, no entanto, para avaliar a real intenção desta mensagem e para avaliar se essa não é apenas uma declaração circunstancial... a mensagem não foi apresentada no início do encontro', acrescentou o jornal. O Ministério das Relações Exteriores de Portugal disse que o enviado líbio encontrou Amado para explicar os pontos de vista de Trípoli para o conflito.

Portugal foi escolhido esta semana para presidir o comitê de sanções do Conselho de Segurança da ONU.

O ministério não informou o nome do enviado e nem divulgou mais detalhes da reunião, afirmando apenas que o encontro foi 'parte dos preparativos para reuniões extraordinárias do Conselho de Relações Exteriores da União Europeias e do Conselho Europeu que serão realizadas nos próximos dias'.

Amado esta em Bruxelas nesta quinta-feira para participar do encontro do Conselho de Relações Exteriores que terá a Líbia como tema.    

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