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Ataques na Líbia podem ser crimes contra a humanidade, diz ONU

Ataques na Líbia podem ser crimes contra a humanidade, diz ONU

Atualizado: Terça-feira, 22 Fevereiro de 2011 as 10:23

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta terça-feira (22) que seja realizada uma investigação internacional sobre os ataques na Líbia contra manifestantes antigovernistas, dizendo que podem ser considerados crimes contra a humanidade.

A Líbia vive manifestações sangrentas contra o governo do ditador Muammar Khadafi, no poder há 42 anos, que já deixaram ao menos 233 mortos.

Em um comunicado, Pillay pediu a suspensão imediata das violações contra os direitos humanos e denunciou o uso de metralhadoras, franco-atiradores e ataques contra civis. 'Ataques sistemáticos em larga escala contra a população civil podem ser considerados crimes contra a humanidade', disse Pillay, ex-juíza de crimes de guerra da ONU. 'A insensibilidade com que as autoridades líbias e seus atiradores contratados estão disparando munições contra manifestantes pacíficos é algo inescrupuloso. Estou extremamente preocupada que vidas estejam sendo perdidas enquanto falo neste momento', disse ela.     O departamento não tem presença na Líbia mas permanece em prontidão para apoiar investigações e promover direitos civis, políticos e econômicos no país do Norte da África, disse o comunicado.

Kadhafi apareceu ao vivo na TV estatal nesta segunda, em imagens transmitidas de sua residência em Bab Al Azizia, na capital Trípoli. A rápida aparição seria uma maneira de negar rumores que circularam mais cedo de que Kadhafi teria deixado o país. Estou em Trípoli e não na Venezuela", ele disse, de acordo com a emissora 'Al Arabiya'.     O vice-chanceler líbio, Jaled Kaim, já havia dito na TV que o coronel Muammar Kadhafi continua no país, desmentindo boatos de que o líder teria fugido para a Venezuela, em meio aos fortes protestos de rua que tomam o país africano nos últimos dias.

Fronteira com o Egito

Os novos dirigentes egípcios reforçaram nesta terça a fronteira com a Líbia e a deixaram aberta para permitir a passagem de milhares de pessoas que fogem dos tumultos decorrentes da revolta.  

A Líbia autorizou nesta terça-feira a aterrissagem de dois aviões militares do Egito no país para remover trabalhadores egípcios, informou o ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheil, segundo a agência estatal, no Cairo. Gheil disse ainda que a Egyptair também enviará quatro aviões para retirar cidadãos egípcios, informou a agência. Não ficou imediatamente claro qual o aeroporto será utilizado nem quando será feito o traslado.

Gheil declarou também nesta terça-feira que a pista do aeroporto de Benghazi foi destruída nos tumultos. 'Sabemos que há entre 1 milhão e 1,5 milhão de egípcios na Líbia. Portanto, nós recomendamos a nossos cidadãos que fiquem em suas casas, saiam das ruas, armazenem água e comida', disse Gheil em entrevista coletiva à imprensa.

O governo egípcio declarou a Líbia responsável pela segurança de seus cidadãos, depois que o filho de Gaddafi, Saif al-Islam acusou os egípcios de envolvimento nos protestos.

Grupo do Exército

Um grupo de oficiais do Exército líbio divulgou um comunicado pedindo que seus companheiros "se juntem ao povo" e ajudem a derrubar Muammar Kadhafi, informou a rede de televisão Al Jazeera.

O canal de notícias disse também que os soldados fizeram um apelo para que o restante do Exército da Líbiax marche para a capital Trípoli.

Testemunhas relatam um "massacre", com muitas mulheres entre os mortos. Há relatos de rajadas esporádicas de tiros.

Saif al Islam, filho de Kadhaffi, alegou que as forças armadas bombardearam depósitos de armas, longe de zonas urbanas, segundo a TV local.    

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