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Atentados contra igrejas: Al Qaeda escolhe alvos vulneráveis

Atentados contra igrejas: Al Qaeda escolhe alvos vulneráveis

Atualizado: Segunda-feira, 3 Janeiro de 2011 as 4:13

Ao atacar os cristãos do Oriente, a Al-qaeda escolhe um alvo vulnerável e com meios de resposta limitados, mas estes atentados podem se desdobrar em conflitos intercomunitários, estimam analistas.

O atentado contra uma igreja copta de Alexandria, no Egito, que fez 21 mortos e dezenas de feridos na noite do Ano Novo, não foi reivindicado, mas suspeitas das autoridades egípcias recaem sobre a Al-Qaeda.

Ao assumir o atentado contra uma catedral de Badgá no fim de outubro (46 fiéis mortos), um grupo iraquiano ligado a Al-Qaeda ameaçou a Igreja Copta, acusando-a de manter prisioneiras duas esposas de padres, que teriam se convertido ao islamismo.

E a igreja em luto em Alexandria figurava em uma lista com cerca de 50 locais de cultos coptas, no Egito e no Exterior, designados no início de dezembro como alvos por um site na internet da Al-Qaeda.

"Os cristãos são alvos mais fáceis e vulneráveis" do que outras comunidades, estima Emile Hokayem, analista do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, situado em Bahrein.

"É uma nova estratégia para a Al-Qaeda, já que a rede tem encontrado menos objetivos ocidentais para atacar. E atacar os xiitas acaba sendo politicamente muito caro, já que as milícias xiitas respondem duramente, enquanto que os cristãos do Iraque não podem responder", declarou.

A explosão de um mausoléu xiita em fevereiro de 2006 em Samarra, no Iraque, provocou violências entre sunitas e xiitas que fizeram milhares de mortos.

"A Al-Qaeda considera que todos aqueles que não são muçulmanos são apóstatas e inimigos, e que ela, por consequência, tem o direito de matar", explicou o analista iemenita Said al-Gamhi, especialista em estudo dos movimentos islâmicos radicais.

Ele acredita que a rede terrorista tenta "provocar confusão entre cristãos e muçulmanos e confrontos intercomunitários, ou até mesmo uma guerra civil" no Egito.

Após o atentado de Alexandria, conflitos opuseram no sábado jovens cristãos e policiais. No domingo, a violência ganhou o Cairo, onde 45 oficiais e 27 outras pessoas ficaram feridas nos confrontos.

Mais circunspecto, Riad Qahwaji, diretor do centro de pesquisas Enigma, situado em Dubai, destaca que não se pode concluir nada sobre uma mudança estratégica da Al-Qaeda enquanto suas principais figuras, Osama bin Laden e seu número dois Ayman Zawahiri, não falarem explicitamente de ataques contra cristãos.

"Usar cristãos do Oriente como alvos levará a um confronto generalizado na região e fará o jogo de Israel", opinou.

A imprensa libanesa disparou nesta segunda-feira o sinal de alarme, enquanto o influente jornal An Nahar mencionava um "11 de setembro árabe permanente que se desloca através de regimes agonizantes".

"Trata-se de um esquema perigoso através do qual a violência se desloca no Iraque, no Egito e talvez em outros países árabes que continuam a gozar de uma diversidade religiosa e de uma presença cristã ainda notável, o Líbano no topo da lista", escreveu.

Berço do cristianismo, a região contabiliza 20 milhões de cristãos em um total de 356 milhões de habitantes, segundo o Vaticano. Mas todas as análises estão de acordo em um ponto: esses atentados podem reforçar o fenômeno de êxodo de cristãos do Oriente, que se sentem marginalizados, ou até mesmo ameaçados diretamente.

Esses ataques "vão aumentar a paranoia dos cristãos na região e encorajar o movimento de migração, e o número desta comunidade já diminui de forma constante", julgou Emile Hokayem.

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