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Avião com 148 brasileiros que estavam na Líbia deixa a Grécia

Avião com 148 brasileiros que estavam na Líbia deixa a Grécia

Atualizado: Segunda-feira, 28 Fevereiro de 2011 as 10:23

O avião que vai trazer ao Brasil um grupo de 148 brasileiros que estavam na Líbia partiu da Grécia na manhã desta segunda-feira (28). O grupo chegou à Grécia neste domingo (27), em navio vindo da Líbia. Após a passagem pela Grécia, eles desembarcam no Recife (PE), e de lá, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, seguem viagem para suas cidades.

Os 148 brasileiros são funcionários da construtora Queiroz Galvão e seus familiares, que estavam retidos na Líbia devido aos conflitos após protestos contra o regime de Muammar Kadhafi, que está no poder desde 1969.

Segundo a embaixada brasileira na Grécia, o voo saiu às 10h30 de Atenas no horário local (5h30 de Brasília) e faz escala em Portugal. Ainda segundo a embaixada, ele deve ficar cerca de duas horas em solo português antes de seguir para o Recife. A previsão é de que chegue ainda na tarde de segunda. O governo brasileiro não informará quais serão os destinos dos brasileiros.

A embarcação que aportou na Grécia havia partido de Benghazi, um dos focos do conflito entre manifestantes e forças do governo, na manhã de sábado (26). Todos haviam embarcado na sexta, mas o mau tempo impediu que a viagem começasse no mesmo dia. O grupo foi o último entre os brasileiros a deixar o país.

O navio chegou ao porto de Pireu, em Atenas, na Grécia, às 7h20 do horário local (por volta de 2h do horário de Brasília) deste domingo.     O governo brasileiro informou que a viagem transcorreu sem problemas e que todos os brasileiros estão bem. A operação foi organizada pela embaixada brasileira em Atenas e paga pela Queiroz Galvão.       Além de brasileiros, cidadãos de outras nacionalidades também estavam na embarcação. O navio foi a única alternativa encontrada pela empreiteira e o governo para a retirada dos brasileiros de Benghazi, onde ocorreram os protestos mais intensos contra o regime de Muammar Kadhafi. As tentativas prévias de buscar os brasileiros por via aérea não foram possíveis porque a pista do aeroporto local foi destruída no início da semana.

Neste domingo, forças armadas de oposição assumiram o controle da cidade de Zawiyah, localizada a cerca de 50 km da capital da Líbia, Trípoli, segundo as agências internacionas. Com cerca de 200 mil habitantes, a cidade é uma das mais próximas da capital, onde estão concentradas as forças leais ao ditador Muammar Kadhafi.

Com tanques, armas antiaéreas e soldados desertores, os opositores se preparam para uma possível ofensiva das forças de Kadhafi.

O governo da Líbia levou jornalistas para Zawiya na manhã de domingo, mas ao invés de ver o regime de Kadhafi controlando a cidade, a imprensa testemunhou oposicionistas armados montando barricadas. Eles hasteavam em edifícios do centro da cidade a bandeira pré-Kadhafi, banida em 1969. Centenas de manifestantes estavam concentrados nas ruas pedindo "liberdade" e "fora Kadhafi"         ONU

No sábado, o Conselho de Segurança da ONU havia aprovado, por unanimidade, uma resolução que impõe sanções contra o regime de Muammar Kadhafi, como o bloqueio de todos seus bens no exterior e o embargo de armas.

A resolução adotada pelos 15 membros do máximo organismo da ONU autoriza também que o Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, abra uma investigação sobre as violações de direitos humanos nas quais incorreu o regime líbio. O principal órgão de decisões da ONU adotou esta resolução em reunião que se prolongou durante quase nove horas e que se desenrolou a portas fechadas sob a Presidência rotativa da embaixadora do Brasil, Maria Luisa Ribeiro Viotti.

Conflitos

Centenas de pessoas morreram por conta dos conflitos. De acordo com informações da Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH) na última quarta-feira (23), pelo menos 640 pessoas já morreram na Líbia desde 14 de fevereiro. O número representa mais que o dobro do balanço oficial do governo da Líbia, divulgado na véspera, de 300 mortos.

Para a principal autoridade francesa de Direitos Humanos, no entanto, o número pode ser bem maior. Estima-se que até 2 mil pessoas possam ter morrido na revolta popular contra o ditador da Líbia.    

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