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Bob Dylan se apresenta na China e abre as portas para outros artistas

Bob Dylan se apresenta na China e abre as portas para outros artistas

Atualizado: Segunda-feira, 4 Abril de 2011 as 3:35

Os primeiros shows de Bob Dylan na China provaram que os tempos estão mudando e as produtoras de espetáculos batem à porta do gigante asiático para outras apresentações de estrelas internacionais.

Os shows de Dylan constituem o maior acontecimento musical na China desde a passagem dos Rolling Stones em 2006 por Pequim e Xangai. O cantor passou pelos dois locais na semana passada.

Dylan, que teve apresentações canceladas em 2010, ao que parece por um veto do ministério da Cultura, se apresentará em uma turnê organizada pela empresa americana Live Nation. A também americana AEG é outra produtora que busca marcar presença na China.

A AEG administra, com sócios, duas salas de espetáculos de 18.000 lugares, em Pequim e Xangai. Em março a empresa levou os veteranos dos Eagles à China.

"Os grandes grupos estão muito interessados. Não é um mercado onde poderão gerar muito faturamento com álbuns, mas podem obter dinheiro com os shows, o que é crucial para os artistas", disse Craig Hartenstine, um dos vice-presidentes da AEG.

Apesar das previsões otimistas após os shows dos Rolling Stones, a China não conseguiu impor-se no mapa das grandes turnês mundiais. Jacarta (Indonésia)recebe mais estrelas do rock que Pequim ou Xangai.

Em fevereiro, Janet Jackson, Eric Clapton e Taylor Swift se apresentaram em Hong Kong e nos países vizinhos, mas não viajaram à China continental.

Sexo e protestos x regime comunista

A principal dificuldade é a relação entre o regime comunista e o rock, que tem uma cultura de sexo e protesto política.

O ministério da Cultura impediu os Stones de cantar canções como "Brown Sugar", considerada de teor forte, em 2006.

O Oasis teve que cancelar apresentações na China em 2009 depois que as autoridades proibiram a viagem do grupo britânica em função do fato do guitarrista Noel Gallagher ter participado de um festival em apoio ao Tibete em 1997.

A cantora islandesa Björk causou irritação do governo ao gritar "Tibete" em um show em Xangai em 2008.

Mas os pedidos passaram a ser mais aceitos nos últimos anos. A canadense Avril Lavigne cantou no país em 2008 e já tem apresentações agendadas para o fim de abril.

O maior problema agora é financeiro, segundo Steve Sybesma, sócio em Xangai da produtora Ato Ato, que já levou para a China artistas como Norah Jones e o Black Eyed Peas.

"A primeira dúvida para um artista que se apresenta em qualquer lugar é se pode vender ingressos em quantidade suficiente", afirma Sybesma.

Pirataria

O rock internacional continua sendo um nicho no mercado de 1,3 bilhão de pessoas dominado pelas canções pop em chinês. A pirataria e o download afetaram seriamente as vendas de música.

"Como a maior parte do faturamento vem dos shows, a maioria dos artistas não está disposta a reduzir o preço dos ingressos, exceto aqueles que consideram a China a futura mina de ouro", explica Archie Hamilton, diretor executivo da produtora Split Works.

"Estou na China há oito anos e acredito neste mercado. Só é preciso ter paciência", afirma Sybesma.

E, de fato, nesta segunda-feira ainda era possível comprar ingressos para os shows de Bob Dylan tanto em Xangai como em Pequim.    

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