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Brasil ignora pressão dos EUA e diz que não vai aceitar sanções impostas ao Irã

Brasil ignora pressão dos EUA e diz que não vai aceitar sanções impostas ao Irã

Atualizado: Quarta-feira, 4 Agosto de 2010 as 4:42

O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse nesta quarta-feira que o Brasil não cederá a pressões dos Estados Unidos para que passe a aceitar sanções impostas ao governo Mahmoud Ahmadinejad.

"Não estamos movidos por esse tipo de pressão, ou o que quer que seja. Estamos fazendo isso porque consideramos que corresponde à percepção que temos dos direitos humanos do mundo. [O Brasil] não vai mudar [de posição] de jeito nenhum. Não teríamos razão para mudar. Quem tem razão para mudar são os que comandaram as sanções. Eles que deveriam rever isso", disse.

Segundo Garcia, as relações bilaterais entre Brasil e Irã estão mantidas e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se ofendeu com o comentário do porta-voz iraniano de que ele era desinformado e, por esta razão, ofereceu asilo político a Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por suspeita de adultério.

"Não [o presidente não ficou magoado com o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad]. O presidente falou o que tinha de falar e fez um comentário que seria a possibilidade de esta senhora iraniana vir para cá. Não queremos dar a este episódio um tratamento tão público que possa prejudicar a eficácia e ficar uma guerra de declarações pela imprensa", disse.

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43, e dois filhos, foi condenada à morte por apedrejamento no Irã sob acusação de adultério. A condenação motivou uma série de campanhas em favor de Ashtiani.

Garcia lembrou que duas semanas antes de Lula oferecer asilo à Ashtiani, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, apelou ao chanceler iraniano pelo fim da punição à iraniana. "Nós estávamos preocupados com esta situação [da condenação da viúva por apedrejamento], que gostaríamos que ela fosse beneficiada com alguma medida de liberdade", disse.

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