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Brasil se negou a receber presos de Guantánamo, diz WikiLeaks

Brasil se negou a receber presos de Guantánamo, diz WikiLeaks

Atualizado: Sexta-feira, 3 Dezembro de 2010 as 9:39

Documentos secretos da comunicação diplomática dos Estados Unidos divulgados pelo site WkiLeaks nesta sexta-feira (3) mostram que o Brasil rejeitou um pedido do governo norte-americano para receber prisioneiros mantidos no campo de detenção de Guantánamo em 2005, época em que Washington procurou vários países para reassentar os detentos ( leia a íntegra dos telegramas, em inglês )   Um telegrama enviado pelo então embaixador em Brasília, John Danilovitch, em 17 de outubro de 2005, descreve a tentativa frustrada de conseguir que o Brasil aceitasse como refugiados prisioneiros uigures, minoria étnica de origem chinesa.

Segundo o documento, o governo brasileiro rejeitou o pedido alegando que não podia “aceitar imigrantes de Guantánamo porque é ilegal designar como refugiado alguém que não está em solo brasileiro”. O texto explica que, de acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), o status de refugiado no Brasil para quem pede do exterior geralmente não é atendido até que ele receba status de refugiado no país onde está – e os uigures não se encaixavam nesta categoria.

Segundo o embaixador, mesmo se os prisioneiros recebessem status de refugiados nos EUA, o Brasil provavelmente argumentaria que eles deveriam ser reassentados em território americano.

O WikiLeaks divulgou ainda documentos indicando que o Itamaraty teve um discurso semelhante quando o Brasil foi procurado para receber cubanos que fugiram do regime de Fidel Castro. Uma das tentativas ocorreu em 2009, já durante o governo de Barack Obama.

Os documentos fazem parte de mais 2855 telegramas enviados pela representação americana no Brasil para o Departamento de Estado americano entre 1989 e 2010 que vão ser publicados pelo WikiLeaks nas próximas semanas.    

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