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Calouros mostram nível recorde de estresse nos EUA

Calouros mostram nível recorde de estresse nos EUA

Atualizado: Sexta-feira, 11 Fevereiro de 2011 as 9:43

A saúde emocional de um calouro universitário _ que se sente pressionado pela recessão e estressado pelas cobranças do colegial - caiu ao nível mais baixo em 25 anos, quando teve início uma pesquisa anual feita com novos alunos.

Na pesquisa, chamada "Calouros Americanos: Normas Nacionais Outono de 2010", envolvendo mais de 200 mil novos alunos de quatro cursos de quatro anos em período integral, aumentou o percentual de estudantes classificando a si mesmos como "abaixo da média" no estado de suas mentes. Enquanto isso, o percentual de estudantes definindo sua saúde emocional como acima da média caiu para 52%, contra 64% em 1985.   A cada ano, as mulheres têm uma visão de seu estado mental menos positiva do que os homens, distância essa que se ampliou.

Orientadores do campus dizem que os resultados da pesquisa são as mais novas evidências do que eles veem diariamente em seus escritórios _ alunos deprimidos, enfrentando stress e usando medicamentos psiquiátricos, receitados até mesmo antes de entrarem na faculdade.

A economia só contribuiu para o stress, não só pela pressão financeira sobre os pais, mas também porque os estudantes se preocupam com sua própria dívida universitária e com as possibilidades de emprego quando se formarem.

"Isso se encaixa com que estamos vendo", disse Brian Van Brunt, diretor de orientação da Universidade Western Kentucky e presidente da Associação Americana de Orientação Universitária. "Mais estudantes estão chegando ao campus com problemas, precisando de apoio, e os atuais fatores econômicos estão acumulando um grande stress adicional sobre os universitários, enquanto eles buscam empréstimos e imaginam se haverá uma carreira esperando por eles do outro lado".

A pesquisa anual de calouros é considerada a mais abrangente por seu tamanho e longevidade. Ao mesmo tempo, a questão pedindo que os alunos classifiquem sua saúde mental comparada à dos outros é difícil de avaliar, já que exige uma definição própria de tal quesito e comparação de si mesmo com seus colegas.

"A maioria das pessoas provavelmente acha que a saúde emocional significa 'eu estou feliz o tempo todo e me sinto bem comigo mesmo?'. Então a resposta basicamente se relaciona à saúde mental", disse o Dr. Mark Reed, psiquiatra que administra o escritório de orientação do Dartmouth College.

"Não acho que os estudantes tenham uma ideia precisa da saúde mental dos outros", acrescentou ele. "Existe muita pressão para fingir que tudo está bem e as pessoas geralmente pensam que são as únicas tendo problemas".

Até certo ponto, o declínio na saúde emocional dos estudantes pode resultar de pressões criadas por eles mesmos.

Com alunos do primeiro ano, embora a avaliação da própria saúde emocional viesse caindo, a classificação de sua iniciativa para atingir o sucesso e de sua habilidade acadêmica subiu _ atingindo um pico recorde em 2010, com cerca de três quartos se declarando como acima da média.

"Os estudantes sabem que sua geração tende a ser menos bem-sucedida que a de seus pais e por isso sentem mais pressão para crescer do que no passado", disse Jason Ebbeling, diretor de educação residencial na Universidade Southern Oregon. "Hoje em dia, os alunos temem que, mesmo com um diploma universitário, não consigam encontrar um emprego com salário maior que o mínimo. Assim, desde os 15 ou 16 anos eles já estão pensando em fazer um MBA ou doutorado".

Outras descobertas da pesquisa destacam o grau em que a economia está pesando sobre os alunos universitários.

"O desemprego paternal está no maior nível desde que começamos a medir", afirmou John Pryor, diretor do Instituto de Pesquisa de Ensino Superior da UCLA, que conduz a pesquisa anual dos calouros. "Mais alunos estão pedindo empréstimos. Estamos vendo o impacto de não se conseguir um emprego de verão e a importância da ajuda financeira sobre qual faculdade eles irão escolher".

"Não sabemos exatamente por que o emocional dos estudantes está em declínio", disse ele. "Mas parece que a economia é uma causa importante".

Para muitos jovens, o stress começa antes da faculdade. Na pesquisa do ano passado, a cota de estudantes que afirmou ter se sentido oprimida por tudo que tinha de fazer no último ano de colegial subiu de 27 para 29%.

O hiato de gênero nessa pergunta foi ainda maior do que com a saúde emocional, com 18 por cento dos homens afirmando terem sentido essa opressão, contra 39 por cento das mulheres.

Essa distância de gênero também existe, segundo estudos, nos estudantes que procuram os serviços universitários de saúde mental _ com as mulheres respondendo por 60 por cento ou mais dos clientes.

"Meninos são ensinados a não falar de seus sentimentos ou demonstrar stress, enquanto meninas são mais inclinadas a contar que estão com problemas", afirmou Perry C. Francis, coordenador de orientação da Universidade Eastern Michigan em Ypsilanti. "Os rapazes saem e vão fazer alguma coisa destrutiva ou estúpida, que pode incluir dano a propriedades. As meninas agem de outra forma".

Linda Sax, professora de educação da UCLA e ex-diretora do estudo dos calouros, disse que a diferença entre homens e mulheres quanto ao bem-estar emocional era uma das maiores da pesquisa.

"Um aspecto disso é como as mulheres e os homens passam seu tempo de lazer", disse ela. "Homens tendem a encontrar mais tempo para lazer e atividades que aliviam a tensão, como exercícios e esportes. As mulheres tendem a assumir mais responsabilidades, como um trabalho voluntário ou ajudar a família, o que não alivia o stress".

Além disso, Sax estudou o papel do corpo docente sobre a saúde emocional dos estudantes, descobrindo que as interações com os professores eram especialmente destacadas para mulheres. Interações negativas surtiam maior impacto em sua saúde emocional.

"A ideia feminina do bem-estar emocional é mais vinculada ao tratamento que elas sentem por parte dos professores", explicou ela. "Não se trata tanto do nível de contato, mas se elas sentem que estão sendo levadas a sério pelo professor. Caso isso não ocorra, o resultado se mostrou mais prejudicial às mulheres do que os homens".

E acrescentou: "Enquanto os homens que desafiaram as ideias de um professor em classe tiveram um declínio no stress, as mulheres que fizeram o mesmo experimentaram um declínio no bem-estar".      

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