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China retira direitos do dissidente libertado Hu Jia

China retira direitos do dissidente libertado Hu Jia

Atualizado: Terça-feira, 28 Junho de 2011 as 10:36

O dissidente chinês Hu Jia foi libertado no domingo (26), depois de mais de três anos de prisão, mas ainda não é um homem livre. Pequim confirmou nesta terça-feira que ele não tem o direito de falar com a imprensa, é objeto de "vigilância" e permanece "privado dos direitos políticos".

Hu Jia, 37, que atua na defesa dos direitos dos portadores do vírus HIV, na proteção do ambiente e na reabilitação do movimento da Praça da Paz Celestial (Tiananmen), foi condenado por "tentativa de subversão do poder" do regime comunista.

"Hu Jia segue privado dos direitos políticos", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hong Lei, durante um encontro regular com a imprensa. "Não pode dar entrevistas e deve ser objeto de vigilância", acrescentou Hong, que não deu um prazo para as medidas restritivas.

Dissidente chinês Hu Jia posa para fotografia postada por sua mulher no Twitter; ele está sob vigilância

Segundo a mulher do dissidente, Zeng Jinyan, contudo, Hu Jia foi privado de seus direitos políticos por um período de um ano ao deixar a prisão.

Em uma entrevista ao canal de Hong Kong Cable TV, exibida no domingo, Hu Jia afirmou que deveria ser "leal a sua consciência".

"Meus amigos pediram que eu tenha uma vida comum e que não enfrente o regime, pois este regime é muito cruel e viola de maneira arbitrária a dignidade de seus cidadãos", declarou Hu, vencedor em 2008 do prêmio Sakharov para a liberdade de pensamento do Parlamento europeu.

"Tenho que tentar fazer tudo o que for possível para tranquilizar meus pais, mas só posso dizer que serei prudente", acrescentou o dissidente, dando a entender que deseja retomar as atividades políticas.

A polícia chinesa proibiu ainda o acesso de jortnalistas à residência de Hu Jia e de sua mulher, com a qual tem uma filha que nasceu pouco depois de sua detenção, em 2007.

As limitações de Hu são similares às sofridas pelo artista e dissidente Ai Weiwei, libertado em 22 de junho após quase três meses de prisão sem mediar uma ordem formal de detenção, a vítima mais famosa da campanha repressiva que Pequim realiza contra centenas de ativistas políticos desde fevereiro --com temor de que a onda de revoltas do mundo árabe chegasse ao país.

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