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Coalizão Global Zero apoia Obama por mundo sem armas nucleares

Coalizão Global Zero apoia Obama por mundo sem armas nucleares

Atualizado: Terça-feira, 2 Fevereiro de 2010 as 12

O objetivo de um mundo sem armas nucleares defendido pelo presidente Barack Obama reanimou a coalizão Global Zero, que reuniu quase 200 personalidades, entre elas ex-dirigentes mundiais, o chanceler brasileiro Celso Amorim e o ator americano Michael Douglas, nesta terça-feira, em Paris.

"Um mundo sem armas nucleares é uma de minhas maiores prioridades como presidente", afirmou Obama, em mensagem lida na abertura da conferência.

O presidente dos Estados Unidos lembrou a promessa que fez neste sentido em abril de 2009 em Praga e a "resolução histórica" aprovada no dia 24 de setembro pelo Conselho de Segurança da ONU, que ratifica "um compromisso comum das nações" de eliminar as armas atômicas.

"Estou orgulhoso com o fato de Estados Unidos e Rússia terem retomado as negociações para um novo tratado START para reduzir drasticamente nossos arsenais nucleares", afirmou o presidente. As discussões entre russos e americanos recomeçaram segunda-feira em Genebra.

Dizendo-se favorável a um tratado de não proliferação, Obama avisou que a tarefa será árdua e garantiu que a coalizão Global Zero sempre poderá considerá-lo como "um parceiro".

Em mensagem aos participantes do evento, o presidente russo Dmitri Medvedev também lançou um apelo a fazer com que "as armas de destruição em massa façam algum dia parte do passado".

"O objetivo Global Zero não é apenas um slogan, é uma meta alcançável", afirmou por sua vez o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiando a capacidade de mobilização da coalizão.

Criada em dezembro de 2008 por iniciativa de ex-diplomatas americanos para responder às ameaças crescentes de proliferação e terrorismo nuclear, a Global Zero defende a eliminação progressiva e controlada dos arsenais, sobretudo a dos estoques russos e americanos, o mais importantes.

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, defendeu, por sua vez, um mundo sem armas atômicas considerando que o orçamento de produção e manutenção das atuais ogivas nucleares é provavelmente superior ao custo da reconstrução do Haiti.

"O desarmamento é uma meta complexa, cara e longa, mas é uma decisão política, assim como a decisão de não-proliferação", afirmou Amorim em um discurso pronunciado no fórum da coalizão "Global Zero", reunida em Paris.

Amorim, para quem "chegou o momento do desarmamento nuclear", declarou que a "possibilidade de conclusão das negociações" sobre o tratado que substituirá o START I entre Estados Unidos e Rússia "é um sinal alentador", pois esses dois países controlam quase 90% das armas nucleares que existem no mundo.

"Estamos mais pertos do que nunca de um mundo sem armas nucleares, mas também de um mundo que pode ser destruído por estas armas", declarou a rainha Noor da Jordânia, uma das fundadoras da Global Zero, que animava a conferência junto com o embaixador americano Richard Burt (um dos negociadores do START) e o ator Michael Douglas.

Todos insistiram na "necessidade de se mobilizar", destacando que um acordo entre russos e americanos permitiria pressionar países reticentes aos controles ou à redução de seu arsenal, como a China ou o Paquistão. Eles também pediram "sanções" contra os países que não respeitarem suas obrigações, como o Irã.

Michael Douglas contou que ficou estarrecido ao descobrir, com apenas oito anos de idade, os estragos de Hiroshima, e em seguida os de Tchernobyl durante uma viagem em que procurou uma vila "que não existia mais".

A conferência vai continuar até quinta-feira com as intervenções de várias outras personalidades, entre elas a ex-presidente irlandesa Mary Robinson e o ex-membro da comissão de verificação da ONU Hans Blix.

A Global Zero apresentará na quinta-feira uma série de recomendações aos dirigentes mundiais, com um cronograma e propostas para a redução dos arsenais, antes da cúpula sobre a segurança nuclear em Washington prevista para abril.

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