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Combates se intensificam na capital e deixam Iêmen perto de guerra civil

Combates se intensificam na capital e deixam Iêmen perto de guerra civil

Atualizado: Quinta-feira, 26 Maio de 2011 as 4:31

  Fortes combates que deixaram pelo menos 24 mortos foram travados nesta quinta-feira (26) entre partidários do mais poderoso chefe tribal do Iêmen e tropas fiéis ao presidente Ali Abudllah Saleh, acusado de deixar o país à beira de uma guerra civil.

Saleh ordenou a prisão do chefe tribal, xeque Sadek al-Ahmar, que se juntou em março ao movimento de protesto que desde janeiro exige a saída do presidente, no posto há 33 anos.

Diante da espiral de violência, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, exortou "todas as partes" a cessarem "imediatamente" os combates e exigiu novamente a saída de Saleh.

Washington já ordenou que as famílias de seu pessoal diplomático e funcionários não-indispensáveis deixem o Iêmen. O Reino Unido também determinou uma redução de seu pessoal diplomático, diante da "deterioração" da situação do país.

Integrantes de tribo durante combates com forças pró-governo nesta quinta-feira (26) em Sanaa, capital do Iêmen (Foto: AP)

  Os combates em Sanaa deixaram pelo menos 68 mortos desde que eclodiram na segunda-feira, um dia depois de Saleh ter se recusado a assinar um acordo para uma transição pacífica do poder elaborado pelas monarquias árabes do Golfo.

Pelo menos 24 pessoas morreram na noite de quarta para quinta-feira em combates em Sanaa e em sua periferia norte, próximo ao aeroporto, que foi temporariamente fechado, de acordo com fontes oficiais e tribais.

Mas esse registro pode aumentar, já que os socorristas só conseguiram entrar nesta quinta-feira no bairro de Al-Hasaba, palco de violentos combates entre forças do governo e partidários de Al-Ahmar, o mais poderoso chefe tribal e líder da federação tribal dos Hached.

Os confrontos causaram a fuga de muitos manifestantes acampados na Praça da Mudança para exigir a saída de Saleh.

"Os combates foram muito violentos, e não dormi durante toda a noite. Os obuses de morteiro explodiam sem parar" afirmou à France Presse Ahmad Abdullah, morador do bairro de Al-Hasaba.

Em outro episódio de violência, pelo menos 28 pessoas morreram em uma explosão em um depósito de munições em Sanaa, que pertencia à tribo dos Al-Ahmar, informou nesta quinta-feira uma fonte oficial.

Um integrante da primeira divisão blindada, que se juntou aos manifestantes e controla o setor onde ocorreu a explosão, afirmou que esta foi provocada por obuses disparados pelas forças de Saleh.

Em declarações à rede de TV Al-Jazeera, o xeque Sadek al-Ahmar acusou o presidente de querer "mergulhar o país em uma guerra civil".

"Ali Abdullah Saleh deve sair", disse. "Peço aos nossos irmãos árabes, principalmente aos países do Golfo, assim como aos Estados Unidos, ao Reino Unido e à União Europeia, que exerçam pressão sobre Saleh para que pare suas guerras".

Em uma decisão desafiadora, Saleh ordenou a prisão do xeque Sadek e de seus irmãos "para que sejam julgados por rebelião armada", segundo o Ministério da Defesa.

O xeque Sadek é um dos dez filhos do influente chefe tribal Abdullah al-Ahmar, já falecido. Ahmar foi presidente do Parlamento. Seu irmão, Hamid al-Ahmar, é um conhecido homem de negócios e um dirigente do partido islamita de oposição Al-Islah.        

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