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Congo quer alugar um terço do país por 90 anos

Congo quer alugar um terço do país por 90 anos

Atualizado: Quinta-feira, 15 Outubro de 2009 as 12

Congolês empurra bicicleta com um saco de arroz enquanto passa em frente a um casarão colonial no Congo; governo quer ceder área equivalente a um terço do país para investidores estrangeiros

O Congo (na África) quer arrendar uma área equivalente a um terço do território do país para investidores estrangeiros. A informação foi publicada nesta quinta-feira (15) no jornal espanhol El País, que afirma que o governo local pretende arrendar as terras para investimentos em agricultura por um período de 90 anos.

Segundo o diário, é quase certo que a maior associação de agricultores da África do Sul será a primeira entidade a fechar negócio com o governo congolês. A Agri SA, que representa mais de 70 mil produtores rurais, e o governo deve fechar nesta semana na cidade sul-africana de Johannesburgo um acordo sobre parte do lote de 10 milhões de hectares [igual a aproximadamente 10 milhões de campos de futebol] que o governo congolês pretende arrendar. Se fechado, o acordo será um dos maiores desse tipo já realizados até hoje.

Pelo acordo, os sul-africanos terão acesso gratuito a terras cultiváveis por um período de 90 anos. Em troca, o governo congolês pretende conseguir atrair um dinheiro que considera crucial para desenvolver as regiões afetadas. O governo espera também atrair investimentos em infraestrutura [como estradas, portos e energia].

O El País afirma que, nos últimos anos, os países ricos iniciaram uma ''nova partilha'' do continente africano e que os críticos desse tipo de projeto o classificam como ''neocolonialismo'' [em uma relação colonialista, um país se aproveita de seu poder econômico ou militar para explorar as riquezas de outros]. Isso está acontecendo principalmente por causa da crise alimentar de 2007, que elevou o preço dos alimentos, e da crescente demanda pelo etanol [álcool combustível]. As críticas dizem ainda que raramente esses projetos levam em conta a vida dos camponeses locais.

O Congo é o quinto maior produtor de petróleo na África e está tentando diversificar a economia. Segundo o El País, o principal ''e praticamente único produto agrícola nacional é a batata''. Com o novo acordo, o país deve passar a produzir soja, cana-de-açúcar [matéria-prima do etanol] e milho, além de criação de gado.

A África do Sul tem um dos setores agrícolas mais desenvolvidos da África, e suas empresas agora buscam terrenos em outros países para se expandir.

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