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Conheça os protagonistas da crise política no Egito

Conheça os protagonistas da crise política no Egito

Atualizado: Quarta-feira, 2 Fevereiro de 2011 as 1:53

A onda de protestos que tomou conta do Egito e já perdura por nove dias criou um cenário de preocupação global com os futuros desdobramentos da crise no país árabe.

Enquanto os EUA e Israel expressam receio com a possibilidade de um governo islâmico no maior aliado da região, analistas reforçam a capacidade de proliferação da insatisfação popular com regimes ditatoriais para países próximos.

Em meio às dúvidas, previsões e especulações econômicas o presidente Hosni Mubarack anunciou a substituição de ministros, e disse que deixará o cargo na próxima eleição - marcada para setembro.

Mas nenhuma das medidas conseguiu acalmar os ânimos da oposição e da população egípcias, que exigem a renúncia imediata do mandatário.

Confira abaixo uma breve biografia de cada um dos protagonistas desta crise política sem precedentes no Egito:     Hosni Mubarak

Atualmente com 82 anos, o ex-comandante da Força Aérea egípcia ocupa o posto de principal mandatário do país desde 1981 - quando assumiu o lugar do até então presidente Anwar Sadat - assassinado naquele ano por fundamentalistas islâmicos durante uma parada militar.

Mubarak preside ainda o Partido Nacional Democrático, e já venceu quatro eleições, tendo sido candidato único em três delas. Na única ocasião em que teve concorrência, foi acusado de fraudar o processo e de suprimir oposicionistas.

Conhecido pela posição neutra no conflito árabe-israelense, é considerado o maior aliado dos EUA na condução dos diálogos pelo processo de paz com Israel.

Mesmo anunciando ampla reforma no gabinete presidencial, demitindo ministros e anunciando que não será candidato na próxima eleição, em setembro, Mubarak não conseguiu apaziguar os ânimos da população, que exige sua renúncia imediata.     Omar Suleiman

Analistas têm dito que, ao nomear Suleiman como vice-presidente, Mubarak teria dois objetivos: mostrar que está disposto a abrir mão de uma parte do seu poder, ocupando um cargo que estava vago há 30 anos. E também agradar às Forças Armadas, que possuem credibilidade com o povo e estima pelo nome escolhido.

De formação militar e com participação ativa nas guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973), Suleiman dirigiu a Agência Nacional de Inteligência Egípcia por 18 anos, e chegou a ser considerado o chefe de inteligência mais poderoso do Oriente Médio pela revista "Foreign Policy", à frente do líder da Mossad (agência israelense), Meir Dagan.

É um aliado muito próximo do presidente Mubarak, e atualmente tem trabalhado como mediador no conflito árabe-israelense e em conflitos de facções palestinas rivais.   Mohamed ElBaradei

Uma das principais vozes da opisição ao regime de Mubarak, ele construiu uma carreira de sucesso como diplomata.

Formado em direito pela Universidade do Cairo, ele atuou no Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo egípcio antes de concluir o mestrado em direito internacional na Universidade de Nova Iorque. Exerceu funções na missão permanente do país natal na ONU, até ingressar na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em 1984. Assumiu a direção da Agência em 1997, e coordenou a instituição até 2009.

Neste período, intermediou negociações com a Coreia do Norte e o Irã, e ganhou o prêmio Nobel da Paz, em 2005. Ficou conhecido pelos questionamentos sobre alegações americanas e britânicas de que o regime de Saddam Hussein teria armas de destruição em massa, antes da invasão ao Iraque em 2003.

ElBaradei integrou os protestos em curso no Egito e se colocou a disposição para liderar uma possível transição do atual governo. Mas enfrenta certa resistência interna, pelo longo período afastado do país.    

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